Flávio Bolsonaro entra na mira da PF em investigação sobre financiamento de cinebiografia do pai
Inquérito apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é investigado pela Polícia Federal (PF) em um inquérito que apura possíveis irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, produção baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A investigação foi autorizada em julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da Polícia Federal. A inclusão de Flávio Bolsonaro entre os investigados veio a público nesta sexta-feira (11/9), depois que o sigilo de documentos do caso foi levantado.
Segundo a decisão, a PF apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outras irregularidades que, em tese, poderiam estar relacionadas à participação de Flávio Bolsonaro no financiamento da produção.
O caso envolve também o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master. Conversas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, divulgadas anteriormente pelo site Intercept Brasil, mostram o senador solicitando recursos para a produção do filme sobre o pai.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi consultada sobre a abertura da investigação e não apresentou oposição.
O que a PF investiga
O financiamento de “Dark Horse” é analisado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal.
O primeiro, relatado por André Mendonça, investiga os repasses realizados por Daniel Vorcaro. Entre os pontos analisados estão a origem dos recursos, as circunstâncias dos pagamentos, os valores envolvidos e a destinação do dinheiro.
Os investigadores também apuram a possibilidade de que parte dos recursos recebidos não tenha sido utilizada na produção do filme. É nesse inquérito que Flávio Bolsonaro aparece como investigado.
O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura a possível utilização de emendas parlamentares no financiamento de “Dark Horse” pela produtora Go Up Entertainment.
Operação Make Up
A investigação sobre o uso de recursos públicos também resultou na Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU).
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) e Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora responsável pelo filme.
Flávio Dino também determinou medidas cautelares contra Mario Frias, incluindo a proibição de deixar o país e de manter contato com outros investigados no inquérito sobre possíveis desvios de recursos de emendas parlamentares.
Investigação em São Paulo
Além dos inquéritos que tramitam no STF, a produtora Go Up Entertainment é alvo de uma investigação conduzida pela Polícia Civil de São Paulo.
O procedimento apura um contrato de mais de R$ 150 milhões firmado entre a empresa e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de wi-fi em bairros da periferia.
Segundo as investigações, o contrato não teria sido executado integralmente e há suspeitas de desvio de parte dos recursos.
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