Operação Iceberg prende 11 pessoas e mira rede de distribuição de drogas de luxo na Bahia

Ação da Polícia Civil cumpriu mandados em cinco cidades e teve autorização judicial para bloquear até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.

A Operação Iceberg prendeu 11 pessoas nesta quinta-feira (24/9) durante uma ação da Polícia Civil da Bahia contra uma rede investigada por tráfico de drogas voltado a consumidores de alto poder aquisitivo. Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e realizadas duas prisões em flagrante.

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As prisões ocorreram em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus. Um dos alvos já estava custodiado no sistema prisional de Aracaju, em Sergipe, onde o mandado de prisão foi cumprido.

Durante a operação, os policiais também apreenderam drogas, veículos de luxo, uma pistola, celulares e documentos. A Justiça autorizou ainda o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos dos investigados.

Principal alvo é apontado como líder do grupo

Entre os presos estão três homens apontados pela investigação como integrantes da liderança da organização. O principal alvo foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador.

Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição dos entorpecentes para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.

A investigação financeira aponta que o suspeito teria movimentado mais de R$ 9,6 milhões em cinco anos, por meio de mais de 16,6 mil transações bancárias.

De acordo com a Polícia Civil, empresas, contas de terceiros e pessoas interpostas teriam sido utilizadas para movimentar os valores.

Em Vitória da Conquista, um dos investigados apontados como liderança regional recebia drogas em Salvador e fazia a distribuição no município e em cidades próximas.

Segundo as investigações, parte dos entorpecentes era escondida em potes de cremes estéticos e transportada em ônibus comerciais, camuflada como cosméticos.

Entre as drogas distribuídas estava a modalidade conhecida como ICE, que era recebida em Salvador e posteriormente redistribuída para municípios do sudoeste baiano.

Já em Santo Antônio de Jesus, outro investigado, que segundo a polícia já era conhecido por envolvimento com o comércio de drogas na região, buscava os entorpecentes na capital e abastecia o município e cidades vizinhas.

Médico foi preso em flagrante com pistola

Durante a operação, uma pistola foi encontrada com um médico investigado, que acabou preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. Ele integra o grupo de duas pessoas que foram presas em flagrante durante a ação.

Também foram apreendidas porções de entorpecentes, celulares e documentos. O material será analisado pelos investigadores para identificar possíveis novos envolvidos, fornecedores e detalhes sobre a movimentação financeira da rede.

Veículos de luxo também foram apreendidos

As medidas patrimoniais determinadas pela Justiça alcançaram oito veículos e uma motocicleta.

Entre os veículos estão modelos como Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass e Chevrolet Tracker, além de uma motocicleta Honda NXR 160 Bros. Segundo a tabela FIPE, o conjunto dos veículos está avaliado em mais de R$ 1,1 milhão.

A investigação aponta que o grupo utilizava redes sociais para negociar drogas, com pagamentos realizados principalmente por Pix e entregas consideradas discretas pelos investigadores.

Segundo a Polícia Civil, entre os consumidores identificados estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo. Os entorpecentes eram divulgados com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA.

Ainda de acordo com a investigação, os suspeitos mantinham um padrão de vida elevado, com imóveis de alto padrão e veículos de luxo. Empresas e contas de familiares ou terceiros também teriam sido utilizadas para ocultar recursos.

Investigação começou durante a Operação Gênesis

A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, também conduzida pelo DHPP.

Segundo a Polícia Civil, a análise de um perfil em uma rede social revelou indícios de comercialização de drogas. A partir das informações, os investigadores identificaram uma estrutura formada por fornecedores, distribuidores e responsáveis pela movimentação financeira.

A ação desta quinta-feira foi coordenada pelo DHPP, com participação do Departamento de Inteligência Policial (DIP), por meio do Laboratório de Lavagem de Capitais (LAB-LD), além do Denarc, Depin, Core e Departamento de Polícia Técnica (DPT).

 

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