Operação Iceberg: grupo escondia drogas em potes de creme e enviava por ônibus para cidades da Bahia
Investigação aponta que organização usava redes sociais para vender entorpecentes a clientes de alto poder aquisitivo; 12 investigados estão presos.

Drogas comercializadas por uma organização investigada pela Polícia Civil da Bahia eram escondidas dentro de potes de creme para cabelo, embaladas a vácuo e enviadas como encomendas em ônibus. A estratégia foi identificada durante a Operação Iceberg, deflagrada nesta quinta-feira (24/9), que investiga uma rede de tráfico voltada principalmente para consumidores de alto poder aquisitivo.
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Segundo a Polícia Civil, 12 investigados estão presos. Entre os alvos estão pessoas apontadas como responsáveis pela distribuição, comercialização e movimentação financeira do grupo.
Drogas eram colocadas em potes de creme
Um print de uma conversa entre um dos vendedores investigados e um cliente mostra detalhes de como o entorpecente era preparado para dificultar a identificação.
Em um dos trechos, o vendedor afirma que colocou a droga dentro de dois potes de creme de 1 quilo. Antes disso, segundo ele, o material teria sido embalado a vácuo.
Na conversa, o investigado também relata que comprou uma caixa de papelão, colocou os potes dentro e enviou a encomenda por meio de um ônibus.
Ainda conforme o conteúdo apresentado pela investigação, o vendedor teria solicitado a nota fiscal dos cremes e utilizado o CPF informado pelo destinatário para preparar o envio.
Vídeos obtidos durante a apuração também mostram a forma como os entorpecentes eram colocados dentro dos produtos e posteriormente acondicionados em caixas.
De acordo com a Polícia Civil, a estratégia de camuflagem era utilizada principalmente para abastecer cidades do interior.
Em Vitória da Conquista, um dos investigados apontados como chefe regional recebia drogas em Salvador e fazia a distribuição para o município e cidades próximas.
Parte dos entorpecentes era escondida em potes de cremes estéticos e transportada em ônibus comerciais como se fossem produtos de beleza.
Entre as drogas distribuídas estava a chamada ICE, recebida em Salvador e posteriormente redistribuída para cidades do sudoeste baiano.
Venda era feita pelas redes sociais
A investigação aponta que as redes sociais eram utilizadas como principal canal de comercialização dos entorpecentes.
Segundo a Polícia Civil, as drogas eram anunciadas em perfis no Instagram e os pedidos eram realizados por mensagens privadas. Os pagamentos ocorriam principalmente por Pix.
Após a negociação, os produtos eram entregues em locais previamente combinados ou enviados para outras cidades.
Entre os consumidores identificados estavam médicos, empresários, advogados e outros profissionais de alto poder aquisitivo.
Os entorpecentes eram divulgados com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. Segundo a investigação, os produtos eram comercializados por valores superiores aos praticados no mercado ilegal convencional.
Operação Iceberg
A Operação Iceberg resultou em prisões em diferentes cidades. Um dos investigados já estava preso no sistema prisional de Sergipe e teve o mandado cumprido dentro da unidade. Segundo a Polícia Civil, foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva e realizadas duas prisões em flagrante, além do cumprimento de mandado contra o investigado que já estava preso.
A Justiça autorizou ainda o bloqueio de até R$ 200 milhões em bens e recursos relacionados aos investigados.
O principal alvo da operação, Erick Castro Gusmão Seixas, foi localizado no Alto do Itaigara, em Salvador. Conforme a polícia, ele recebia drogas de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e coordenava a distribuição para Salvador, Vitória da Conquista e Santo Antônio de Jesus.
A investigação financeira aponta que Erick teria movimentado mais de R$ 9,6 milhões em cinco anos, por meio de mais de 16,6 mil transações bancárias.
A apuração também identificou oito carros e uma motocicleta ligados aos investigados. Entre os veículos estão Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass e Chevrolet Tracker. Segundo a tabela Fipe, o conjunto está avaliado em mais de R$ 1,1 milhão.
A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, que investigava uma organização criminosa envolvida em crimes violentos.
Durante a análise de uma rede social, os investigadores identificaram indícios de comercialização de drogas e chegaram à estrutura formada por fornecedores, distribuidores e vendedores.
A Polícia Civil informou ainda que a investigação aponta possível envolvimento de integrantes do grupo com a comercialização ilegal de armas.
Segundo a Polícia Civil, os investigados são:
- Erick Castro Gusmão Seixas;
- Luccius Magno Fernandes Neiva Gomes;
- Luan Costa da Silva;
- Marco Antonio Cavalcanti de Azevedo Lopes;
- Laisa Franca Lacerda;
- Matheus Ribeiro Mello do Nascimento;
- Marcelo Botelho Reis;
- Tyago de Assis Conceição, que já estava preso em Sergipe;
- Guilherme Rodrigues de Oliveira;
- Theo Macedo e Dantas;
- Camila Ingrid Dourado Bezerra;
- Robson Siqueira Reis.
As investigações continuam para esclarecer a participação de cada suspeito, identificar outros possíveis envolvidos e detalhar a origem dos entorpecentes e dos recursos movimentados pelo grupo.
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Conversa mostra negociação entre suspeito e comprador. Droga era escondida dentro de creme para cabelo – Foto: Arquivo Pessoal