Investigada por fraude no IPTU de Salvador é presa ao desembarcar de voo da Espanha

Maria Isabel Regueira é apontada pela Polícia Civil como uma das integrantes do núcleo de liderança da Operação Valor Venal

Uma mulher de 60 anos, investigada por participação em um esquema de fraude no IPTU de Salvador, foi presa no sábado (19/9) ao desembarcar de um voo da Espanha no aeroporto da capital baiana. A prisão foi divulgada pela Polícia Civil nesta segunda-feira (21).

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Identificada como Maria Isabel Regueira, ela é consultora e, segundo as investigações, faria parte do grupo responsável pela articulação das fraudes. A suspeita é de que ela atuasse nas negociações com proprietários de imóveis interessados em reduzir o IPTU e na formalização dos contratos.

A prisão ocorreu dois dias após a deflagração da Operação Valor Venal, que investiga alterações irregulares em cadastros imobiliários de Salvador. Com a prisão de Maria Isabel, cinco investigados estão presos.

Quem são os investigados presos

Segundo a Polícia Civil, Maria Isabel e Lavínia Maria Valle Oliveira, presa durante a deflagração da operação, são apontadas como integrantes do núcleo de liderança.

Ainda conforme a investigação, Jeã Nascimento Moreira seria responsável pela captação de proprietários de imóveis e terrenos de alto padrão interessados em reduzir o IPTU.

Já Cláudio Luiz de Oliveira Pinto Passos é apontado como intermediador entre clientes e o grupo de liderança, participando de reuniões e da formalização dos contratos.

A quinta presa é Mariuza de Carvalho Souza, apontada como responsável pela execução de alterações cadastrais dos imóveis. Segundo a Polícia Civil, ela estaria relacionada a 627 intervenções indevidas no cadastro imobiliário da Secretaria Municipal da Fazenda (Sefaz).

Como funcionaria o esquema

De acordo com as investigações, proprietários de imóveis eram procurados por intermediários que ofereciam serviços para reduzir o valor do IPTU.

Após a contratação, os clientes eram encaminhados às consultoras. Dados cadastrais dos imóveis eram alterados no sistema da Sefaz, incluindo informações como ano de construção e outros atributos utilizados no cálculo do valor venal.

Com a redução do valor venal registrado, o imposto cobrado também diminuía. Em alguns casos investigados, a redução chegou a 90%.

A investigação aponta que as alterações ocorreram entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026 e atingiram cerca de 700 imóveis.

Segundo a Polícia Civil, foi identificada uma diferença superior a R$ 1,2 bilhão entre os valores reais dos imóveis e os valores registrados no sistema municipal após as alterações.

A estimativa da investigação é de que o município tenha deixado de arrecadar aproximadamente R$ 20 milhões em razão das fraudes.

Os imóveis investigados são principalmente de médio e grande porte, localizados em bairros nobres de Salvador. Também há grandes empreendimentos comerciais entre os casos apurados.

Quatro pessoas foram afastadas da Sefaz

Além das prisões, a Justiça determinou o afastamento de quatro pessoas ligadas à Secretaria Municipal da Fazenda:

  • Rosiclea Sabino dos Santos, auditora fazendária e chefe do setor de vistoria;
  • Luiz Borges Lima Júnior, servidor efetivo e agente fazendário;
  • Leonardo Velasco Bastos Salcul, servidor ocupante de cargo comissionado;
  • Simone Aleluia Couto, servidora terceirizada.

A participação individual de cada um deles ainda é investigada.

Segundo a Sefaz, a apuração começou após uma denúncia apresentada pela própria secretaria à Polícia Civil em fevereiro. A pasta também informou que instaurou uma sindicância e que os processos relacionados aos casos identificados foram revertidos.

A Operação Valor Venal é conduzida pelo Núcleo Especializado no Combate aos Crimes Econômicos e Contra a Ordem Tributária (NECCOT), ligado ao Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO-LD).

 

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