“Morto não fala”: mensagens revelam ameaças contra vítimas de tortura na Bamor e chocam pela violência
Conversas atribuídas a dirigentes da torcida organizada do Bahia mostram planos para intimidar dois homens e impedir denúncias. Presidente teria ameaçado ampliar agressões para oito horas.

Inicialmente, mensagens atribuídas à direção da Bamor, torcida organizada do Bahia, revelam ameaças contra vítimas de tortura na sede da entidade, em Salvador. De acordo com relatório do Ministério Público da Bahia (MP-BA), integrantes discutiram formas de intimidar dois homens para evitar denúncias à polícia e à imprensa.
Além disso, os diálogos, registrados em julho de 2026, incluem ameaças de novas agressões. Nesse contexto, um dos participantes mencionou a expressão “Morto não fala”, atribuindo a frase ao vice-presidente da organizada, Luciano da Silva Venâncio.
Além disso, o presidente da Bamor, Matheus Pires Castro, teria sugerido que integrantes procurassem uma das vítimas em casa para intimidá-la.
Em outro áudio, Matheus ameaçou repetir as agressões e aumentar sua duração.
“Próxima vez é oito horas, viu? Não vão ser quatro não, vão ser oito!”, afirmou na gravação atribuída a ele.
Conforme a investigação, os dois homens sofreram sessões de violência física e psicológica nos dias 17 e 18 de julho, na sede da torcida, no bairro de Nazaré. Cada episódio teria durado aproximadamente quatro horas.
Operação Inquisição prende dirigentes e revela tentativa de esconder provas
A Polícia Civil e o Ministério Público identificaram as conversas durante a Operação Inquisição, realizada em 28 de setembro. A ação resultou na prisão de dez investigados, incluindo o presidente e o vice-presidente da Bamor.
Além das ameaças, os investigadores encontraram mensagens sobre a possibilidade de apagar conversas do WhatsApp para dificultar a produção de provas.
Os suspeitos também teriam discutido maneiras de evitar a identificação individual dos responsáveis pelas agressões.
Em 2 de outubro, o MP-BA denunciou os dez investigados por crimes como organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça.
Entretanto, as mensagens não comprovam que as ameaças de novas agressões tenham sido executadas. As suspeitas de irregularidades financeiras atribuídas às vítimas também não foram comprovadas.
A defesa de Matheus Pires e Luciano Venâncio declarou que ambos são inocentes e informou que adota medidas judiciais. Já a Bamor afirmou que não compactua com práticas ilícitas e defendeu a apuração individual das responsabilidades.
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