Ministério da Saúde nega compra e custeio de ‘kit chuca’ pelo SUS após vídeo do produto viralizar
Produto mostrado durante congresso é disponibilizado pela rede municipal de Salvador.

Um vídeo que viralizou nas redes sociais nos últimos dias mostra um higienizador íntimo utilizado para higiene anal disponível em um serviço municipal especializado no atendimento à população LGBT+ de Salvador. A publicação, feita pela enfermeira e sexóloga Maiara Teixeira, alcançou milhões de visualizações e passou a ser compartilhada por perfis que associaram a distribuição do chamado “kit chuca” ao governo federal.
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As imagens, porém, mostram uma iniciativa da rede municipal de saúde de Salvador, e não uma ação do Ministério da Saúde.
O vídeo foi gravado em um estande da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador durante o XX Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana (CBSH), realizado entre os dias 2 e 4 de setembro de 2026, no Centro de Convenções Salvador. O evento reuniu profissionais, pesquisadores, estudantes e especialistas para discutir temas relacionados à sexualidade humana.
No registro, quem apresenta o produto a Maiara é Paloma Xavier, gestora do Multicentro de Saúde Carlos Gomes e do ambulatório especializado da capital baiana.
A disponibilização do higienizador mostrada no vídeo está relacionada a uma ação da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador. Portanto, a existência do produto no serviço municipal não significa que ele tenha sido adquirido ou distribuído pelo governo federal.
Após a repercussão do conteúdo nas redes sociais, o Ministério da Saúde informou que não compra, não custeia e não distribui kits de higiene íntima.
Segundo a pasta, eventuais aquisições desse tipo podem ser realizadas por estados e municípios, dentro da autonomia de gestão existente no Sistema Único de Saúde (SUS).
O Ministério também afirmou que suas políticas e ações são orientadas por evidências científicas e voltadas à atenção integral à saúde.
Como funciona a gestão do SUS
A associação do produto ao governo federal também envolve uma questão relacionada à estrutura de gestão do SUS.
O Sistema Único de Saúde possui gestão compartilhada entre União, estados e municípios. O Ministério da Saúde atua na coordenação de políticas nacionais, enquanto estados e municípios também possuem atribuições próprias na organização e execução dos serviços de saúde em seus respectivos territórios.
Dessa forma, uma ação realizada ou financiada por uma secretaria municipal de saúde não deve ser automaticamente atribuída ao governo federal.
Congresso reuniu especialistas em sexualidade humana
O vídeo foi registrado durante o XX Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana, realizado em Salvador entre 2 e 4 de setembro de 2026.
De acordo com a organização, o congresso teve como tema “A sexualidade como ela é: corporal, plural e transformadora” e reuniu profissionais, estudantes, pesquisadores, ativistas e especialistas de diferentes áreas.
O evento foi promovido pela Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH) e ocorreu presencialmente no Centro de Convenções Salvador, na Boca do Rio.
O que se sabe
- O vídeo mostra um higienizador íntimo em um estande da Secretaria Municipal da Saúde de Salvador.
- As imagens foram registradas durante o XX Congresso Brasileiro de Sexualidade Humana, em setembro de 2026.
- O produto apresentado está relacionado a uma iniciativa da rede municipal de Salvador.
- O Ministério da Saúde afirma que não compra, não custeia e não distribui kits de higiene íntima.
- Estados e municípios possuem autonomia para desenvolver ações próprias dentro da gestão do SUS.
Assim, a associação direta entre o produto mostrado no vídeo e uma suposta distribuição pelo governo federal não corresponde à informação apresentada pelo Ministério da Saúde.
Produto é oferecido em ambulatório de Salvador
No caso mostrado no vídeo, a oferta é feita pelo município de Salvador. A ducha já era oferecida pelo ambulatório antes de o vídeo viralizar e aparecia em uma lista divulgada pela prefeitura na inauguração da unidade, em 2023.
O Ambulatório Municipal Especializado em Saúde LGBT+ funciona no Multicentro de Saúde Carlos Gomes, no centro da cidade, e foi inaugurado em setembro daquele ano.
A equipe de reportagem procurou a Secretaria Municipal da Saúde de Salvador para pedir mais informações sobre a compra, o custeio e os critérios de distribuição do produto. Até a última atualização desta reportagem, contudo, a pasta não havia respondido.
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