PF mira Mário Frias e produtora de filme sobre Bolsonaro em operação que apura desvio de emendas

Investigação apura possível uso irregular de recursos públicos ligados ao filme “Dark Horse”.

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (10) a Operação Make Up, que investiga suspeitas de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre os principais alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro e produtor executivo do longa, e a empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment e ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB).

Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. A operação é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Não foram expedidos mandados de prisão.

A investigação começou a partir da destinação de cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade relacionada à produtora. A PF apura se parte desses recursos públicos teria sido direcionada a empresas subcontratadas irregularmente, inclusive sem comprovação efetiva da prestação dos serviços previstos.

Segundo os investigadores, análises financeiras também identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema investigado. Entre os possíveis crimes apurados estão peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.

Operação Make Up Dark Horse
Mario Frias. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Mário Frias já havia se manifestado anteriormente ao Supremo e negou irregularidades na destinação das emendas, afirmando que os recursos tiveram finalidade social. A investigação da Operação Make Up é distinta de outro inquérito que apura recursos privados repassados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento de “Dark Horse”.

As diligências desta quinta-feira buscam reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que permitam esclarecer o caminho percorrido pelo dinheiro e verificar se houve efetivamente desvio de recursos públicos.

 

 

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