Policiais são condenados pela morte de jovem em Salvador após 12 anos do crime
Dois dos sete PMs julgados receberam penas superiores a 20 anos de prisão; crime aconteceu em 2014 e teve repercussão nacional

Dois dos sete policiais militares acusados de envolvimento na morte de Geovane Mascarenhas de Santana foram condenados a penas superiores a 20 anos de prisão. O resultado do julgamento foi divulgado nesta sexta-feira (19/6), cerca de 12 anos após o crime que chocou a Bahia e ganhou repercussão nacional.
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O julgamento ocorreu no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, e teve início na última quarta-feira (17). Dos sete policiais denunciados pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), apenas dois foram condenados pelos crimes relacionados ao assassinato do jovem.
Condenações e absolvições
O policial militar Jesimiel da Silva Resende foi condenado a 25 anos, 3 meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de multa. Ele foi considerado culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, roubo e ocultação de cadáver.
Já Cláudio Bonfim Borges recebeu pena de 20 anos e 7 meses de prisão, também em regime inicial fechado, além de multa. Ele foi condenado por homicídio duplamente qualificado e roubo, mas absolvido da acusação de ocultação de cadáver.
Os réus Daniel Pereira de Sousa Santos, Alan Morais Galiza dos Santos, Alex Santos Caetano e Roberto dos Santos Oliveira foram absolvidos das acusações de homicídio, roubo e ocultação de cadáver por negativa de autoria.
O sétimo acusado, Jailson Gomes Oliveira, foi absolvido da acusação de homicídio, mas condenado a 6 anos e 4 meses de prisão pelo crime de roubo. A pena deverá ser cumprida em regime inicial semiaberto.
Segundo a Justiça, os mandados de prisão contra Jesimiel da Silva Resende e Cláudio Bonfim Borges foram cumpridos imediatamente após a sentença.
Relembre o caso Geovane Mascarenhas
O crime ocorreu em 2 de agosto de 2014. Na ocasião, Geovane Mascarenhas de Santana pilotava sua motocicleta quando foi abordado por uma guarnição da Polícia Militar. Conforme as investigações, o jovem foi colocado em uma viatura e levado até a Rua Luiz Maria, no bairro da Calçada, em Salvador, antes de ser conduzido ao local onde teria sido assassinado.
Na época, os policiais alegaram que Geovane possuía características semelhantes às de um suspeito de assalto registrado na região. Eles afirmaram que levaram o jovem até a vítima do roubo, que não o reconheceu, e que posteriormente ele teria sido liberado.
No entanto, a denúncia apresentada pelo MP-BA sustentou que os policiais “sequestraram e mataram quem por eles foi eleito para morrer”. O órgão apontou ainda que a vítima foi surpreendida, presa sem justificativa legal e mantida sob custódia dos agentes antes de ser executada, sem qualquer possibilidade de defesa.
Ainda em 2014, os policiais Cláudio Bonfim Borges, Jailson Gomes Oliveira e Jesimiel da Silva Resende chegaram a ser presos preventivamente, mas foram liberados após 60 dias.
GPS danificado foi peça-chave para desvendar o crime
As investigações conduzidas pela Polícia Civil identificaram os envolvidos por meio da análise dos dados de GPS das viaturas utilizadas na ação.
O delegado Jorge Figueiredo, responsável pelo caso, solicitou os registros de localização das viaturas empregadas nos dias 2 e 3 de agosto de 2014, além da relação dos policiais que estavam de serviço. A partir dessas informações, foi possível identificar a participação dos agentes denunciados.
Uma perícia realizada pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) constatou que a fiação do aparelho GPS da viatura comandada pelo subtenente Cláudio Bonfim Borges havia sido danificada. Apesar disso, os investigadores conseguiram reconstruir o trajeto por meio do sistema de geolocalização do rádio de comunicação utilizado entre as viaturas e a Central de Polícia.
Inicialmente, os policiais negaram qualquer contato entre as equipes envolvidas na ocorrência. Posteriormente, alteraram suas versões e admitiram um encontro rápido entre as guarnições durante o serviço.
A análise técnica também revelou que as duas viaturas passaram pelos locais onde os restos mortais de Geovane foram abandonados e retornaram à base da Rondesp com apenas sete minutos de diferença. Além disso, o relatório oficial assinado por Cláudio descrevia rotas completamente diferentes das registradas pelos sistemas de monitoramento.
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