Mulher é presa por racismo religioso após ataque a terreiro de Candomblé em Salvador
Investigação da Polícia Civil apura crimes de racismo religioso e dano qualificado; ataque ocorreu em janeiro deste ano no bairro de Cajazeiras XI.

Uma mulher de 45 anos foi presa na manhã desta segunda-feira (6/7), no bairro da Pituba, em Salvador, suspeita de envolvimento em um ataque contra um terreiro de candomblé. A ação faz parte de uma investigação da Polícia Civil da Bahia pelos crimes de racismo religioso e dano qualificado.
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Além do mandado de prisão preventiva, os policiais também cumpriram um mandado de busca e apreensão na residência da investigada.
Ataque ocorreu em janeiro em Cajazeiras XI
Segundo a Polícia Civil, a investigação teve início após um ataque registrado no dia 20 de janeiro de 2026, quando a fachada e o portão de entrada de um terreiro localizado em Cajazeiras XI foram pichados com mensagens de caráter discriminatório e ofensivo.
A identificação da suspeita foi possível após a análise de imagens de videomonitoramento e da coleta de provas, que subsidiaram o pedido das medidas cautelares expedidas pela Justiça.
Durante o cumprimento do mandado de busca, os policiais apreenderam dois aparelhos celulares, agendas e um notebook.
Todo o material será submetido à perícia e poderá contribuir para o aprofundamento das investigações.
Após ser submetida aos exames legais, a mulher permanece à disposição do Poder Judiciário.
As investigações são conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin), vinculada ao Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV).
De acordo com a Polícia Civil, o inquérito segue em andamento para o completo esclarecimento dos fatos e para identificar a eventual participação de outras pessoas.
Terreiro denunciou racismo religioso
Na época do crime, o terreiro Nzo Mutá Lombô ye Kayongo Toma Kwiza denunciou o ataque e classificou o episódio como um caso de racismo religioso e intolerância.
As paredes do espaço sagrado foram pichadas com as palavras “Assassinos” e “Jesus”, o que, segundo a comunidade religiosa, representou uma tentativa de intimidar os praticantes da religião de matriz africana.
Em nota divulgada após o ataque, o terreiro afirmou que a ação configurava um crime motivado por ódio religioso.
“Trata-se de um crime motivado por ódio religioso, que reforça estigmas, incita a violência simbólica e perpetua o racismo estrutural historicamente imposto aos nossos povos.”
A comunidade também cobrou a identificação e punição dos responsáveis, além da adoção de medidas para garantir a segurança do espaço religioso.
“Nossa fé resiste. Nosso sagrado não será silenciado. Buscaremos por justiça!”, concluiu a nota.
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