INDIGNAÇÃO: ‘Tirou um pedaço de mim’, diz pai de adolescente morta; ex é suspeito

O motorista Gidauto Cerqueira, 47 anos, teve a infelicidade de ver ao vivo, a imagem a ser observada no aparelho traz à tona uma dor que, garante, vai carregar para sempre: a filha, uma adolescente de 16 anos, morta sobre um colchão estendido no quarto do ex namorado, André de Souza Santana, 32, apontado pela Polícia Civil como o principal suspeito do feminicídio.

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Estudante do 7º ano de uma escola estadual em Brotas, Gislane Luiza Herval Cerqueira foi encontrada sem vida no início da tarde desta segunda-feira (26/8), no bairro de São Cristóvão, em Salvador. Por meio de nota, a Polícia Militar informou que foi até o local, uma casa na Avenida Aliomar Baleeiro, após a denúncia de que havia uma mulher morta por espancamento. Ao chegar, encontraram a estudante morta e isolaram a área. 

O pai, no entanto, fala com propriedade sobre o estado do cadáver da menina, a quem viu morta, mas com o aspecto “de quem estava dormindo. Minha filha foi assassinada às 14h, eu só soube do fato 17h, e cheguei lá perto de 18h, o que explica isso? Fui recebido por uma mulher que dizia ser enfermeira, e o cunhado do assassino, em uma casa onde havia um idoso de cama, pai dele. Ela foi encontrar com ele pra morrer. Foi atraída pra lá, e agora eu não tenho mais o que fazer, ele tirou um pedaço de mim”, relatou, na manhã desta terça, enquanto aguardava a liberação do corpo no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR).

Dos pontos que levam a crer no ex-genro como o algoz da filha, o mais forte, aponta o motorista, é o fato de Gislane ter sido morta no quarto da casa do pai de André, a quem Gidauto se refere como uma pessoa “que nunca ofereceu qualquer perspectiva de vida à adolescente”. A segunda evidência, nas palavras do pai, é o tempo do término, 20 dias, de uma relação que se estendia – contra a vontade da família da menina – há quase três anos. 

Por meio da assessoria, a Polícia Civil reforçou a suspeita da família e disse que o pedido de prisão do suspeito será encaminhado à Justiça. O feminicídio está sob a investigação da 1ª Delegacia de Homicídios (DH/Atlântico), onde já foram ouvidos familiares e outras testemunhas, de acordo com a pasta.

‘Fizemos de tudo’
O pai da vítima enumerou os motivos pelos quais, para ele, a relação do ex-casal “era um erro”. André, segundo Gidauto, é usuário de drogas e não trabalha desde que se aproximou da adolescente, quando ele tinha 29 anos. Vizinho do motorista, no bairro de Praia Grande, no Subúrbio Ferroviário da capital, o suspeito nunca pediu permissão para namorar Gislane, então com 14 anos.

“Nunca gostei, antes do envolvimento com minha menina, fui contra ele. Fizemos de tudo, eu e a mãe dela, para impedir a aproximação. Criei ela desde a separação, quando minha filha era uma criança, mas abri mão da guarda para a mãe, há dois anos, justamente para afastar os dois. Não deu certo e agora acabou tudo”, lamenta.

 

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Correio24horas

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