PRF flagra ônibus superlotado com trabalhadores e bagagens espalhadas pelos corredores
Veículo transportava sete passageiros acima da capacidade

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) flagrou um ônibus transportando 49 trabalhadores em condições precárias de segurança na manhã de quinta-feira (8), no km 409 da BR-242, em Seabra, na Chapada Diamantina. O veículo estava superlotado, com sete passageiros acima da capacidade permitida, e realizava transporte interestadual sem autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
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A fiscalização começou após o motorista desrespeitar a sinalização de parada obrigatória em um trecho de obras na rodovia. Segundo a PRF, o ônibus avançou sobre cones que organizavam o tráfego no sistema Pare/Siga e continuou a viagem.
Um representante da empresa responsável pela manutenção do asfalto comunicou a situação aos policiais da Unidade Operacional de Seabra. Por volta das 10h, os agentes localizaram o veículo e realizaram a abordagem.
Durante a inspeção, os policiais encontraram uma situação que comprometia a segurança dos ocupantes. Colchões, caixas, malas, eletrodomésticos e outros objetos ocupavam os corredores e parte dos assentos.
Além disso, alguns passageiros estavam sentados sobre as próprias bagagens, o que impedia a utilização dos cintos de segurança. O banheiro do ônibus também estava tomado por objetos e não podia ser utilizado.
De acordo com o motorista, o coletivo havia saído de Matutina, em Minas Gerais, com destino a Campo Formoso, no norte da Bahia, onde os passageiros trabalhariam na colheita de alho.
O percurso previsto era de aproximadamente 1.600 quilômetros, e cada trabalhador pagou R$ 450 pela viagem.
Questionado sobre a desobediência à sinalização no trecho em obras, o condutor alegou que o ônibus apresentava problemas nos freios. A informação foi registrada pela PRF como declaração do motorista.
Durante a fiscalização, os policiais também conversaram com os passageiros para entender as condições de trabalho e como o transporte havia sido organizado.
Alguns trabalhadores relataram que atuavam desde junho de 2026 na colheita de alho em propriedades rurais de uma empresa localizada em Matutina, Minas Gerais.
Segundo os depoimentos, eles recebiam por produção, e a contratação do ônibus foi intermediada por um organizador de trabalhadores conhecido como “turmeiro”.
A PRF não informou, no relato divulgado, a existência de uma conclusão sobre possíveis irregularidades trabalhistas. O caso foi encaminhado ao Ministério do Trabalho para análise e adoção das providências de sua competência.
Ao final da fiscalização, os agentes registraram seis irregularidades envolvendo o motorista e o veículo:
Exame toxicológico do condutor vencido;
Disco-diagrama do cronotacógrafo vencido;
Descumprimento do intervalo obrigatório de descanso;
Transporte de passageiros acima da capacidade permitida;
Transporte de bagagens e cargas no compartimento destinado aos passageiros;
Transporte interestadual remunerado de passageiros sem autorização.
A ocorrência foi encaminhada ao Ministério do Trabalho. Não foram divulgadas informações sobre eventuais medidas adicionais adotadas em relação à viagem ou ao motorista.
