Grupo é alvo de operação por golpe do falso advogado e lavagem de dinheiro
Investigação aponta atuação de grupo interestadual que usava dados de processos judiciais para enganar vítimas e obter transferências via Pix

A Polícia Civil da Bahia deflagrou, nesta quinta-feira (8/10), a Operação Espectro, que investiga um esquema interestadual de fraudes eletrônicas conhecido como “golpe do falso advogado”. Dois suspeitos, um homem de 30 anos e uma mulher de 25, foram presos preventivamente em São Paulo, apontados como principais operadores do grupo.
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Além das prisões, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio e o sequestro de até R$ 3,5 milhões em contas bancárias dos investigados e de pessoas físicas e jurídicas que teriam atuado como intermediárias no esquema.
A operação foi conduzida pela Delegacia Territorial (DT) de Curaçá, vinculada à 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (17ª Coorpin), em parceria com a Polícia Civil de São Paulo.
As investigações começaram após três vítimas procurarem a DT de Curaçá e relatarem prejuízos financeiros. A partir dos casos, os policiais passaram a rastrear a estrutura técnica e financeira utilizada nas fraudes para identificar os beneficiários e os responsáveis pela organização do esquema.
Segundo a Polícia Civil, o grupo atuava com divisão de tarefas e utilizava técnicas de engenharia social para convencer as vítimas a realizar transferências.
Como funcionava o golpe do falso advogado
Os criminosos utilizavam ferramentas automatizadas para consultar informações de processos judiciais em andamento. Com isso, obtinham dados como número dos processos, nomes das partes, valores de indenizações ou acordos, além de informações sobre os advogados responsáveis pelos casos.
De posse desses dados, os suspeitos entravam em contato com as vítimas por aplicativos de mensagens e se passavam pelos advogados constituídos nos processos.
Durante a abordagem, informavam que a vítima havia obtido uma decisão favorável e teria valores elevados para receber. Para dar aparência de legitimidade à fraude, os criminosos encaminhavam documentos falsificados com timbres do Poder Judiciário, incluindo supostos alvarás de liberação de pagamento.
Na sequência, outro integrante do grupo se apresentava como o magistrado responsável pelo processo. Em uma chamada de vídeo, sob o argumento de realizar uma audiência virtual para liberar o dinheiro, o suspeito orientava a vítima a espelhar a tela do celular.
Com acesso às informações exibidas na tela, os criminosos acompanhavam os aplicativos bancários em tempo real. As vítimas eram então convencidas a realizar pagamentos sob a justificativa de quitar um suposto “Imposto de Renda antecipado” ou liberar valores e limites de empréstimos.
Em alguns casos, segundo a investigação, as vítimas também eram orientadas a desativar mecanismos de segurança dos aplicativos bancários.
Os valores eram transferidos via Pix para contas utilizadas como passagem, incluindo contas de pessoas apontadas como “laranjas” e empresas de fachada.
Polícia alerta para cuidados contra o golpe
O delegado Thiago Souza orientou a população a desconfiar de contatos inesperados relacionados a processos judiciais e a confirmar qualquer informação diretamente pelos canais oficiais.
“É importante que as pessoas aprendam a se proteger desse tipo de golpe, e isso pode ser feito desconfiando de contatos novos, confirmando as informações pelos canais oficiais e tendo em mente que juízes não fazem audiência por WhatsApp para pedir Pix”, afirmou.
O delegado também recomendou que as pessoas não compartilhem nem espelhem a tela do celular durante contatos desse tipo.
A Operação Espectro foi realizada pela Polícia Civil da Bahia, por meio da DT de Curaçá, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.
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