MP-BA denuncia presidente da Bamor e outros integrantes por tortura, roubo e extorsão

Segundo o MP-BA, a denúncia foi protocolada na última sexta-feira (2 /10). O órgão afirma que os investigados integravam uma estrutura organizada, com divisão de funções e atuação estável, que teria sido utilizada para praticar crimes relacionados à chamada “punição privada” de pessoas suspeitas de supostas irregularidades internas.
Os denunciados foram presos na segunda-feira (28), durante uma operação que também cumpriu 15 mandados de busca e apreensão. Conforme o Ministério Público, todos permanecem presos preventivamente no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.
Quem são os denunciados
De acordo com o MP-BA, foram denunciados:
- Matheus Pires Castro, presidente da Bamor;
- Luciano da Silva Venâncio, vice-presidente;
- Gabriel Pereira Silva, diretor-geral;
- Daniel Sena Duarte, diretor de sede;
- Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing;
- Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio;
- Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria;
- Luiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede;
- Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro;
- Fernando Santana Esquivel, policial militar apontado como integrante da torcida organizada.
O MP-BA afirma que os crimes teriam ocorrido em julho deste ano e que duas pessoas teriam sido submetidas a agressões físicas e psicológicas dentro da sede da torcida.
MP-BA afirma que vítimas foram torturadas por horas
Segundo a promotora de Justiça Thelma Leal, todos os integrantes presos teriam participado das agressões, embora em diferentes níveis.
De acordo com o relato apresentado pelo MP-BA, uma das vítimas teria sido chamada à sede da torcida para prestar esclarecimentos sobre um suposto desfalque. Como não teria admitido a prática, teria passado a ser agredida.
A promotora afirmou que a vítima teria sofrido espancamentos, simulação de afogamento, perfurações e agressões com objetos como taco de beisebol e martelo.
Ainda segundo as investigações, uma segunda pessoa também teria sido levada ao local no dia seguinte e submetida a agressões.
Além dos crimes de tortura e ameaça, o Ministério Público investiga possíveis casos de roubo e extorsão. Segundo a promotora Thelma Leal, uma das vítimas teria tido o celular subtraído durante as agressões. O MP-BA também afirma que foram realizadas transferências bancárias para outras pessoas.
Uma das vítimas relatou, em entrevista, que teria sido obrigada a fornecer a senha de uma conta bancária. Segundo o depoimento, aproximadamente R$ 5,8 mil teriam sido transferidos para uma conta da associação.
A vítima também afirmou que as agressões duraram cerca de quatro horas e que sofreu golpes e tentativas de sufocamento e afogamento.
Em entrevista concedida em julho, uma das vítimas, que não teve a identidade divulgada por medo de represálias, afirmou que foi até a sede da torcida para prestar esclarecimentos e não esperava ser agredida.
Segundo o relato, ela teria sido questionada sobre uma suposta fraude, mas afirmou que não havia participado de qualquer irregularidade.
A vítima também declarou que os responsáveis não teriam apresentado provas de sua participação no suposto desvio.
Bamor não é alvo da investigação, afirma promotora
A promotora Thelma Leal afirmou que a investigação é direcionada aos integrantes da torcida e que a Bamor, enquanto associação, não é investigada no caso.
Segundo ela, a sede da torcida foi fechada porque teria sido o local onde os crimes aconteceram.
A promotora também informou que existe outra investigação envolvendo a associação no Ministério Público, mas afirmou que, neste momento, não há medidas previstas contra a Bamor relacionadas à Operação Inquisição.
O MP-BA trabalha ainda na elaboração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) envolvendo a torcida organizada. A proposta, segundo Thelma Leal, prevê medidas para que integrantes que pratiquem crimes sejam punidos internamente e impedidos de frequentar a associação.
Entre os investigados está o policial militar Fernando Santana Esquivel. Segundo o MP-BA, ele seria associado à Bamor e teria participado das agressões.
A promotora afirmou que o policial teria comparecido à sede da torcida e participado das sessões de tortura. O Ministério Público, porém, informou não ter confirmação sobre eventual cargo ocupado por ele dentro da organização.
A operação é coordenada pelo Gaeco, do MP-BA, com participação das polícias Civil e Militar e de órgãos da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA).
Bamor afirma que não compactua com condutas ilícitas
Em nota divulgada na quarta-feira (30), a Bamor afirmou respeitar o trabalho das autoridades e declarou que não apoia ou compactua com condutas ilícitas.
A torcida também defendeu que eventuais responsabilidades sejam analisadas de forma individualizada, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência.
A entidade afirmou ainda que pretende colaborar com as investigações dentro de suas atribuições e que sua trajetória institucional deve ser preservada, independentemente da apuração dos fatos envolvendo integrantes da diretoria.
Com a denúncia apresentada pelo MP-BA, caberá à Justiça analisar a acusação e os demais elementos do processo. Os investigados permanecem presos preventivamente, conforme as informações divulgadas pelo Ministério Público.
As acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal, e os denunciados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência até eventual decisão judicial definitiva.
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