Mãe denuncia escola após filho autista ser levado para casa em saco plástico: ‘Para não sujar o carro’

Um menino de 6 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi levado para casa dentro de um saco plástico após sair de uma escola municipal de Alagoinhas, no interior da Bahia. O caso aconteceu na quinta-feira (24) e foi denunciado pela família à Polícia Civil, ao Ministério Público e ao Conselho Tutelar.

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Segundo a mãe da criança, Camila Almeida, o menino chegou à residência acompanhado pelo transporte da Secretaria Municipal da Educação (SEDUC) e estava envolto em um saco plástico, além de estar com a fralda suja de fezes. As informações foram divulgadas pelo Bnews.

A avó recebeu a criança na porta de casa. Depois de tomar conhecimento da situação, Camila entrou em contato com a escola para pedir explicações.

“A diretora disse que assumia a responsabilidade e que tinha sido ela quem o vestiu com o saco para não sujar o carro da secretaria que o estava trazendo. Acredito que nenhum argumento justifica vestir meu filho com um saco, tratando-o como lixo, um objeto, um embrulho ou algo nojento”, relatou Camila.

Após o episódio, a mãe procurou a Ouvidoria da Secretaria Municipal da Educação e, posteriormente, registrou um Boletim de Ocorrência. O caso também foi levado ao Ministério Público e ao Conselho Tutelar.

Mãe da criança falou sobre o caso nas redes sociais – Foto: Reprodução/Instagram

Mãe contesta atendimento oferecido pela escola

Após o registro da ocorrência, a SEDUC realizou uma reunião com a presença da diretora envolvida. Camila afirma, porém, que não se sentiu acolhida durante o encontro e que teria sido responsabilizada pela repercussão do caso nas redes sociais.

Segundo a mãe, durante a reunião foi sugerida a transferência do menino para outra unidade escolar, enquanto a diretora permaneceria no cargo. A proposta teria sido recusada pela família.

Camila também afirmou que descobriu durante o processo que o filho recebe acompanhamento de profissional de apoio somente no período da manhã. À tarde, segundo ela, o menino e outras crianças ficam sob os cuidados de duas auxiliares.

A mãe, no entanto, questiona a tentativa de responsabilizar a profissional de apoio que não estava na escola no momento do ocorrido. Segundo ela, a decisão de colocar o saco plástico na criança teria partido diretamente da diretora.

O que diz a Prefeitura de Alagoinhas

Em nota, a Prefeitura de Alagoinhas, por meio da Secretaria Municipal da Educação, informou que tomou conhecimento da situação e acolheu a família. A pasta afirmou ainda que adotou providências para ouvir os envolvidos e esclarecer o ocorrido.

A SEDUC disse que acompanha o caso junto à família, à gestão escolar e aos profissionais envolvidos e que, após a apuração, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis.

A Secretaria também afirmou manter o compromisso com a inclusão, a proteção, a dignidade e os direitos dos estudantes, além da garantia de ambientes escolares seguros e respeitosos.

Por respeito à criança e à legislação, a identidade do menino e outras informações que possam permitir sua identificação não foram divulgadas.

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