Cabo do Exército é suspeito de vender armas e munições para facções na Bahia

Militar lotado em Salvador teria negociado cerca de mil munições de fuzil, além de granadas e armas, segundo investigação da Polícia Civil e do MP-BA

A investigação sobre um suposto esquema de fornecimento de armas e munições para facções criminosas na Bahia chegou a um cabo do Exército apontado como um dos possíveis fornecedores do grupo.

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O cabo Deivison dos Santos Ferreira, lotado no Sexto Batalhão de Polícia do Exército, em Salvador, é suspeito de negociar munições, granadas e armas com integrantes do tráfico de drogas. Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), ele teria vendido cerca de mil munições de fuzil para uma das organizações criminosas investigadas.

O militar já estava preso antes da operação que resultou na prisão de 33 suspeitos de integrar a organização criminosa. Deivison foi detido por determinação da Justiça Militar e também é investigado pelo desaparecimento de coletes balísticos.

Defesa nega acusações

Os advogados do cabo Deivison afirmaram ao Fantástico que o militar nega todas as acusações. A defesa declarou ainda que, no momento oportuno, os fatos serão esclarecidos e que trabalha para revogar as prisões.

As suspeitas contra o militar surgiram a partir da análise de celulares apreendidos durante uma operação realizada em abril, em uma casa localizada no bairro de Itapuã, em Salvador. O imóvel seria utilizado para armazenar e preparar drogas.

Em um dos aparelhos, os investigadores encontraram conversas atribuídas ao cabo. Nas mensagens, segundo a investigação, ele teria oferecido materiais de uso restrito e armamentos a integrantes de facções criminosas.

O telefone pertencia a Gabriel Reis Oliveira, apontado pela polícia como responsável pela compra e revenda de armas e drogas para diferentes grupos criminosos. Conforme a investigação, era ele quem mantinha contato direto com o militar.

Conversas ajudaram a identificar militar

Inicialmente, Deivison teria utilizado apenas um emoji para se identificar nas conversas. Durante as negociações, porém, o interlocutor teria enviado dados pessoais, como CPF e uma chave Pix.

As informações foram utilizadas pelos investigadores para confirmar a identidade do homem que mantinha as conversas com os criminosos.

De acordo com a Polícia Civil, o cabo teria negociado aproximadamente mil munições de fuzil dos calibres 5.56 e 7.62 com uma das organizações criminosas investigadas.

Também foram encontradas mensagens relacionadas à negociação de granadas. A quantidade que teria sido desviada ainda não foi determinada pela investigação.

Pistolas e fuzis também teriam sido oferecidos

As conversas analisadas pelos investigadores também indicam que o militar teria oferecido pistolas e fuzis a integrantes da organização criminosa.

Nesse caso, porém, ainda não há confirmação de que as armas tenham sido desviadas do Exército.

Uma das principais linhas da investigação é a possibilidade de que parte das munições e das granadas tenha sido desviada durante treinamentos militares.

A suspeita é de que materiais utilizados durante os exercícios, que deveriam ser devolvidos ao paiol da unidade após as atividades, não teriam retornado ao estoque oficial.

Os investigadores também apuram se registros de controle foram alterados com o objetivo de esconder possíveis diferenças entre a quantidade de material registrada e o estoque existente.

Treinamentos militares são investigados

Em mensagens analisadas pela polícia, o cabo teria feito referência a treinamentos realizados em Paulo Afonso, no norte da Bahia.

Segundo os investigadores, o militar teria indicado que poderia conseguir mais material depois de uma dessas atividades.

A investigação agora busca esclarecer se munições e outros equipamentos utilizados nos exercícios militares foram desviados e, posteriormente, repassados a integrantes de organizações criminosas.

Também está sendo apurada a forma como o material teria saído do controle oficial.

Operação prendeu 33 suspeitos

Uma operação realizada nesta semana mobilizou aproximadamente 250 agentes e terminou com a prisão de 33 pessoas suspeitas de integrar a organização criminosa investigada.

Foram realizadas:

  • 27 prisões em Salvador e na região metropolitana;
  • duas prisões no interior da Bahia;
  • três prisões em Sergipe;
  • uma prisão em São Paulo.

O cabo Deivison estava entre os alvos da operação. No entanto, ele já se encontrava preso desde o mês anterior por determinação da Justiça Militar.

Exército mantém militar preso

Em nota ao Fantástico, o Comando da Sexta Região Militar informou que o cabo está preso preventivamente em uma investigação relacionada ao desaparecimento de coletes balísticos.

Segundo o Exército, Deivison continuará custodiado em uma unidade militar e à disposição da Justiça.

A investigação sobre o suposto fornecimento de armas e munições também busca identificar possíveis outros envolvidos.

Durante a análise das conversas, os investigadores encontraram referências feitas pelo cabo a outras pessoas que poderiam ter participação no fornecimento de granadas e munições.

A Polícia Civil, porém, afirma que ainda é cedo para concluir que outros militares participavam do suposto esquema. A possibilidade não foi descartada e continua sendo investigada.

Além de identificar eventuais novos envolvidos, as autoridades querem descobrir a origem de todo o material que teria sido negociado pelo cabo e esclarecer como armas, granadas e munições teriam saído do controle oficial.

As acusações contra os investigados ainda dependem do avanço das apurações e de eventual comprovação pela Justiça.

 

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