Sargento da PM e servidores do Detran-BA são alvos de operação contra fraude de veículos

Quatro pessoas foram presas nesta terça-feira (1º/9) durante a Operação Giratina, que investiga um esquema de fraude envolvendo registros e transferências de veículos na Bahia. Entre os detidos estão um sargento da Polícia Militar e dois servidores comissionados que exerciam funções de chefia no Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), na unidade de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
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Segundo a Polícia Civil, o sargento da PM trabalhava cedido ao Detran-BA no período em que os fatos investigados teriam ocorrido. Os nomes dos suspeitos não foram divulgados.
Três prisões aconteceram em Madre de Deus e outra em Simões Filho. Um dos presos é parente de um dos investigados. Durante o cumprimento de um mandado de busca na residência dele, os policiais encontraram uma arma de fogo irregular. O homem acabou preso também em flagrante pelo crime relacionado ao armamento.
Além das prisões, a operação cumpriu 14 mandados de busca e apreensão: dez em municípios da Bahia e quatro no Ceará.
As diligências ocorreram em Simões Filho, Madre de Deus, Camaçari e Lauro de Freitas, além de endereços relacionados a uma empresa e a pessoas investigadas no Ceará.
Como funcionava a fraude em veículos
As investigações apontam que o grupo utilizava dados de veículos pertencentes a empresas legítimas, registrados originalmente em estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Essas informações seriam utilizadas como base para a criação de registros fraudulentos na Bahia. Para inserir os veículos no sistema, os suspeitos apresentavam documentação falsificada e realizavam ou validavam procedimentos de vistoria.
Também eram inseridas informações no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) e emitidos documentos necessários para formalizar as transferências.
A investigação apura ainda a participação de servidores do Detran-BA nesse processo. Segundo a Polícia Civil, eles teriam atuado em etapas como conferência de documentos, vistoria e emissão de registros, contribuindo para que os veículos envolvidos no esquema aparentassem estar em situação regular.
Veículos eram usados para conseguir financiamentos
Depois de receberem os registros na Bahia, os veículos eram levados para outra etapa do esquema.
De acordo com a investigação, em poucos dias os automóveis eram utilizados para solicitar financiamentos no Ceará. Os veículos eram apresentados como garantia para a obtenção do crédito.
A suspeita é de que bancos e empresas financeiras tenham aprovado os financiamentos sem saber que os documentos e registros utilizados nas operações haviam sido fraudados.
Os veículos, na realidade, pertenciam a empresas legítimas que não tinham conhecimento das transações realizadas em seus nomes.
Armas e documentos são apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam uma pistola, um revólver, celulares e documentos. O material deverá passar por análise para auxiliar no avanço das investigações.
A apuração continua para identificar a possível participação de outras pessoas e verificar a extensão do esquema, que pode ter envolvido crimes praticados em diferentes estados.
Os investigados são suspeitos de envolvimento em crimes como inserção de informações falsas em sistemas, falsidade ideológica, corrupção e associação criminosa.
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