Empresário e investidor do Feira FC, Bruno Karttos é retirado de investigação sobre apostas ilegais

Documentos apresentados pela defesa apontaram outro homem como sócio e administrador da empresa investigada.

O empresário e investidor do Feira Futebol Clube, Bruno Karttos, teve o nome retirado da investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA) que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de explorar ilegalmente apostas online, aplicar golpes contra apostadores e lavar dinheiro.

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Segundo informações apuradas, a investigação identificou que Karttos não teria ligação com a empresa investigada pelo MP-BA. A mudança ocorreu após a análise de documentos apresentados pela defesa do empresário, que apontaram outro homem como sócio e administrador da empresa alvo das apurações.

Apesar disso, um mandado de busca e apreensão chegou a ser cumprido na residência de Karttos, localizada em um condomínio de luxo, no dia 13 de agosto. A medida ocorreu no âmbito da Operação Aposta Suja, deflagrada pelo Ministério Público da Bahia e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ).

Durante a ação, foram apreendidos no imóvel do empresário dinheiro em espécie em moeda estrangeira, um tablet, um celular e dois veículos de alto padrão.

Com a retirada do nome de Karttos da investigação, segundo as informações apuradas, os materiais apreendidos deverão ser devolvidos ao empresário. As contas bancárias que haviam sido bloqueadas durante a apuração também deverão ser liberadas.

Empresário atua no mercado digital e de apostas

Natural de Feira de Santana, Bruno Karttos atua principalmente no mercado digital e de apostas esportivas.

Ele é um dos fundadores da Mansão Green, empresa criada em 2023 ao lado do empresário Neto Lima. O negócio atua no segmento de marketing e negócios digitais, com atividades relacionadas a influenciadores e ao mercado de iGaming, termo utilizado para definir a indústria de jogos e apostas pela internet.

Registros empresariais consultados apontam Karttos como sócio-administrador da Mansão Green.

Nas redes sociais, o empresário também produz conteúdos relacionados a futebol e apostas. Seu perfil no Instagram reúne centenas de milhares de seguidores.

Karttos e Neto Lima também aparecem à frente do Grupo Royalty, que reúne outras empresas e negócios ligados aos dois empresários.

Relação de Bruno Karttos com o Feira FC

A atuação de Bruno Karttos no futebol ganhou destaque em 2026, com a criação do Feira Futebol Clube.

O clube foi fundado para disputar a Segunda Divisão do Campeonato Baiano e surgiu no formato de Sociedade Anônima de Futebol (SAF). O projeto foi idealizado pelo empresário e advogado Marcus Rios e contou com a participação de Neto Lima e Bruno Karttos.

Os dois empresários foram apresentados pelo clube como embaixadores e investidores do projeto.

O Feira FC chamou atenção antes mesmo da estreia oficial ao anunciar nomes conhecidos do futebol e das redes sociais. Entre os contratados estiveram o atacante Thiago Galhardo, ex-jogador da Seleção Brasileira, o goleiro Sidão e o influenciador Lucaneta.

Na primeira fase da Segunda Divisão do Campeonato Baiano, o Feira FC terminou na quarta colocação e avançou para o playoff do acesso. A equipe, porém, foi eliminada pelo Fluminense de Feira e não conseguiu conquistar uma vaga na elite do futebol baiano.

A relação entre futebol e o mercado de apostas também aparece na trajetória empresarial de Karttos. A Mansão Green, empresa da qual ele é um dos fundadores, esteve ligada ao patrocínio do Campeonato Baiano de 2026.

O que o Ministério Público investiga

A atuação empresarial de Bruno Karttos chegou a ser analisada no contexto da Operação Aposta Suja. De acordo com o Ministério Público, a organização investigada seria responsável por operar sites de apostas sem autorização do Ministério da Fazenda.

Segundo as apurações, valores depositados pelos usuários seriam direcionados para empresas de fachada. Os investigadores também apontam que clientes teriam sido impedidos de sacar quantias disponíveis nas plataformas.

Ainda conforme o MP, recursos obtidos pelo suposto esquema teriam passado por diferentes operações financeiras. Parte do dinheiro teria sido convertida em criptoativos, distribuída entre diversas contas e enviada para o exterior.

Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou mais de 800 comunicações de operações consideradas suspeitas envolvendo os investigados entre 2022 e 2026.

As movimentações analisadas ultrapassaram R$ 1,4 bilhão. Segundo o Ministério Público, mais de R$ 100 milhões teriam sido movimentados por apenas uma das empresas investigadas.

Ao todo, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo.

Defesa ainda não teve acesso aos autos

A defesa de Bruno Karttos informou que não faria um pronunciamento oficial neste momento porque ainda não teve acesso integral aos autos do processo.

Segundo os advogados, uma manifestação será apresentada depois que a defesa analisar o conteúdo da investigação.

O Feira Futebol Clube também se manifestou sobre o caso e afirmou ter “total confiança” na inocência de Karttos. O clube declarou ainda que respeita a atuação das autoridades e o devido processo legal.

A investigação segue em andamento. Bruno Karttos não foi condenado pelos crimes investigados.

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