Suspeito de tentativa de homicídio contra ex-diretor de presídio é preso

Um homem suspeito de envolvimento na tentativa de homicídio contra o ex-diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, foi preso na quarta-feira (19/8), no bairro do Alecrim. O suspeito foi autuado em flagrante por tráfico de drogas.
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Segundo informações da Polícia Militar (PM), o homem foi localizado por volta das 18h40, após uma denúncia anônima. Ele estava em um imóvel no bairro quando foi abordado pelos policiais. Durante a ação, foram apreendidos uma mochila e três celulares.
O suspeito foi identificado como Guilherme Ribeiro Paz, de 20 anos. Ele tinha dois mandados de prisão em aberto: um relacionado a um processo por tráfico de drogas e outro referente à investigação da tentativa de homicídio contra o ex-diretor do presídio.
Guilherme foi preso e permanece à disposição da Justiça.
Ataque contra motorista tinha ex-diretor de presídio como alvo
A tentativa de homicídio aconteceu em 20 de maio de 2025, nas proximidades do Conjunto Penal de Eunápolis. Na ocasião, um motorista terceirizado da unidade prisional foi baleado enquanto dirigia um veículo utilizado normalmente pelo então diretor Jorge Magno Alves.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), o ex-diretor era o alvo dos criminosos, mas não estava no automóvel no momento do ataque e não ficou ferido.
O motorista trafegava pela Avenida Alcides Lacerda, no bairro Arisvaldo Reis, quando foi surpreendido por homens armados e encapuzados. De acordo com as investigações, os criminosos utilizavam armas de grosso calibre, incluindo fuzis de calibres 7,62 mm e 5,56 mm.
Mesmo ferido, o motorista conseguiu dirigir por alguns metros até receber atendimento de policiais militares. Ele foi levado para um hospital, passou por cirurgia e ficou internado. Segundo as informações divulgadas na época, não havia risco de morte.
Após o atentado, cerca de 100 policiais das forças estaduais e federais participaram de ações integradas para localizar os envolvidos.
Investigação apontou participação de integrantes de facção
As investigações apontaram que o ataque teria sido coordenado por Ednaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, apontado como chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), atualmente ligada ao Comando Vermelho (CV).
Entre os suspeitos apontados como executores do atentado estão José Rubens Alves de Assis Filho, conhecido como “Rubão”, e Letícia Rodrigues, que foram presos em 21 de maio de 2025, em Itapebi.
Outro investigado é Romildo Ramos de Moraes, conhecido como “RD”. Segundo a polícia, ele também teria participação na fuga de detentos ocorrida no Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024.
As investigações também apontaram que Romildo teria relação com um advogado preso em julho de 2025, suspeito de auxiliar na fuga dos internos.
Ex-diretor deixou o cargo meses após o atentado
Jorge Magno Alves assumiu a direção do Conjunto Penal de Eunápolis após a fuga de 16 detentos ocorrida em dezembro de 2024. Cerca de três meses depois do ataque, ele foi exonerado do cargo.
A exoneração foi assinada pelo governador Jerônimo Rodrigues e publicada no Diário Oficial do Estado em 28 de agosto de 2025.
Antes de Jorge Magno assumir a direção, a unidade era comandada por Joneuma Silva Neres. Ela foi afastada após a fuga dos detentos e posteriormente presa sob suspeita de facilitar a saída dos internos.
Fuga de 16 detentos
A fuga aconteceu na noite de 12 de dezembro de 2024. Segundo as investigações, um grupo de homens armados invadiu o Conjunto Penal de Eunápolis e trocou tiros com os agentes de segurança para facilitar a saída dos presos.
Ao todo, 16 detentos fugiram da unidade. Após o episódio, diretores e um coordenador do presídio foram afastados, e a Seap determinou uma intervenção de 30 dias no complexo penal.
Em janeiro de 2025, um dos fugitivos morreu durante um confronto com policiais civis. Outros 15 continuaram foragidos.
Uma semana depois, a então diretora Joneuma Silva Neres foi presa por suspeita de participação na fuga. As investigações apontaram ainda uma possível ligação dela com uma organização criminosa que atuava na região.
Segundo a Seap, a invasão de dezembro de 2024 foi a primeira registrada na Bahia em que um presídio foi invadido dessa maneira. Na ocasião, oito homens teriam trocado tiros com os agentes de segurança para facilitar a fuga dos internos.
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