PF indicia “Rei do Lixo” e mais 24 pessoas por suspeita de desvio de emendas parlamentares

Empresário José Marcos Moura e ex-coordenadores do DNOCS na Bahia estão entre os 25 indiciados na Operação Overclean

O empresário baiano José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, e outras 24 pessoas foram indiciados pela Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (17/8).

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Segundo a investigação, o grupo é suspeito de envolvimento em fraudes licitatórias, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. O caso faz parte da Operação Overclean, deflagrada pela PF em dezembro de 2024 e que teve novas fases ao longo de 2025 e janeiro de 2026.

Entre os indiciados também estão Lucas Maciel Lobão Vieira e Rafael Guimarães de Carvalho, ex-coordenadores do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) na Bahia.

A investigação aponta suspeitas de irregularidades em contratos públicos e no uso de recursos federais. Segundo informações divulgadas sobre o caso, as apurações envolvem contratos de obras e serviços financiados com recursos públicos, incluindo verbas relacionadas a emendas parlamentares.

O advogado de Lucas Maciel informou que a defesa ainda não havia sido notificada sobre o indiciamento.

A reportagem também tentou contato com as defesas dos demais envolvidos, mas não havia obtido retorno até a última atualização.

O indiciamento é uma etapa da investigação policial e não significa condenação. Eventuais responsabilidades criminais ainda dependem da análise do Ministério Público e da Justiça.

Deputados continuam sob investigação

As apurações que envolvem os deputados federais Vicentinho Júnior (PSDB-TO), Elmar Nascimento (União-BA), Félix Mendonça (PDT-BA) e Dal Barreto (União-BA) continuam em andamento.

Até o momento, segundo as informações divulgadas nesta segunda-feira, esses parlamentares não estão entre os 25 indiciados nesta etapa.

A investigação chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) após o surgimento de elementos envolvendo pessoas com foro por prerrogativa de função. Na nona fase da Operação Overclean, em janeiro de 2026, a PF, a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal cumpriram nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal. Na ocasião, o STF também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas de pessoas físicas e jurídicas investigadas.

O que é a Operação Overclean?

A Operação Overclean foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024 por uma força-tarefa formada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal e Controladoria-Geral da União.

A operação foi criada para investigar uma organização suspeita de atuar em fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.

Segundo a investigação, servidores públicos teriam facilitado a contratação de empresas previamente escolhidas. Após a celebração dos contratos, os valores seriam superfaturados, criando condições para o desvio de recursos.

As apurações também identificaram contratos envolvendo órgãos públicos, especialmente o DNOCS, e movimentações financeiras consideradas suspeitas. O volume de contratos analisados pela investigação chegou a cerca de R$ 1,4 bilhão.

Relembre as fases da Operação Overclean

  • Primeira fase

A primeira fase foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão em diferentes estados.

José Marcos Moura, o “Rei do Lixo”, foi preso nessa etapa. Também foi preso o vereador Francisco Manoel do Nascimento Neto, conhecido como Francisquinho Nascimento, de Campo Formoso.

Durante a operação, a PF apreendeu dinheiro em espécie e documentos relacionados aos contratos investigados.

  • Segunda fase

Treze dias depois, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da operação. Entre os presos estava o então vice-prefeito de Lauro de Freitas, Vidigal Cafezeiro, além de outros investigados.

  • Terceira fase

A terceira fase ocorreu em 3 de abril de 2025. José Marcos Moura voltou a ser alvo da operação, assim como o então secretário de Educação de Belo Horizonte e ex-secretário de Educação de Salvador, Bruno Barral.

  • Quarta fase

Em 27 de junho de 2025, a quarta fase da Overclean apreendeu cerca de R$ 3,2 milhões no armário do ex-prefeito de Paratinga, Marcel José Carneiro de Carvalho.

Também foram investigados nessa etapa os prefeitos de Ibipitanga, Humberto Raimundo Rodrigues de Oliveira, e de Boquira, Alan Machado França.

  • Quinta fase

A quinta fase, deflagrada em 17 de julho de 2025, teve como foco suspeitas relacionadas ao uso irregular de emendas parlamentares destinadas à Bahia.

O deputado federal Elmar Nascimento não foi alvo de mandados naquela etapa, mas familiares e pessoas ligadas a ele foram investigados.

  • Sexta fase

Em 14 de outubro de 2025, a sexta fase teve como alvo o deputado federal Dal Barreto. Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu o celular do parlamentar no Aeroporto Internacional de Salvador.

  • Sétima fase

Dois dias depois, em 16 de outubro, a sétima fase resultou no afastamento do prefeito de Riacho de Santana, Dr. João Vítor.

O prefeito de Wenceslau Guimarães, Gabriel de Parísio, também foi preso durante a ação por posse ilegal de arma de fogo.

  • Oitava fase

A oitava fase ocorreu em 31 de outubro de 2025, quando a Polícia Federal cumpriu cinco mandados fora da Bahia.

  • Nona fase

A nona fase foi deflagrada em 13 de janeiro de 2026. A operação teve como principal alvo o deputado federal baiano Félix Mendonça Júnior.

Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal. Além disso, houve determinação para o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de investigados.

De acordo com a Polícia Federal, os investigados poderão responder, conforme a participação individual atribuída a cada um, por crimes como:

  • organização criminosa;
  • corrupção ativa e passiva;
  • peculato;
  • fraude em licitações e contratos administrativos;
  • lavagem de dinheiro.

A investigação ainda está em andamento e a situação jurídica de cada investigado deverá ser analisada individualmente pelas autoridades responsáveis pelo caso.

 

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