Adolescentes são os autores de vídeo pornô falso criado com IA usando imagem de professora, diz polícia

A Polícia Civil da Bahia identificou dois adolescentes suspeitos de criar e divulgar vídeos pornôs falsos com a imagem de uma professora em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado. Segundo a investigação, um dos envolvidos é aluno da vítima, de 47 anos.
O caso é investigado pela Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), que já identificou o computador utilizado na produção do material e informou que o inquérito está em fase final.
As publicações foram encontradas em uma plataforma de conteúdo adulto no dia 20 de julho e somavam cerca de 27 mil visualizações.
Inteligência artificial foi usada para criar os vídeos
De acordo com a Polícia Civil, os vídeos foram produzidos por meio de inteligência artificial, técnica conhecida como deepfake sexual.
Esse tipo de montagem utiliza fotografias ou vídeos reais para gerar imagens falsas de nudez ou de cenas de sexo com aparência bastante realista. Em muitos casos, basta uma fotografia publicada nas redes sociais para que ferramentas de IA criem esse tipo de conteúdo.
Em um dos vídeos, a professora aparecia vestindo a camisa da escola onde trabalha. Em outro, seu rosto foi manipulado para simular uma cena de sexo.
Professora descobriu o crime após alerta de alunos
A vítima contou que inicialmente não acreditou quando estudantes disseram que havia um vídeo seu circulando em uma plataforma pornográfica.
Após verificar o conteúdo, encontrou duas publicações utilizando sua imagem sem autorização. “Na hora que eu vi, eu engasguei, faltou ar, faltou chão”, relatou.
Segundo a professora, o episódio provocou medo, angústia, ansiedade e indignação.
Ela registrou boletim de ocorrência, preservou provas por meio de capturas de tela e salvou os links das publicações, o que contribuiu para o avanço das investigações.
Motivação seria humilhação
Para a professora, a intenção dos responsáveis não era de natureza sexual, mas de humilhar e destruir sua reputação.
“É uma violência que tenta destruir a imagem da pessoa. Você não escolheu estar ali, mas precisa lidar com todas as consequências”, afirmou.
Ela decidiu tornar o caso público para incentivar outras vítimas a denunciarem situações semelhantes. “Quando a gente se cala, fortalece esse tipo de atitude. O certo é denunciar para que as pessoas entendam que a internet não é mais terra de ninguém e que existem consequências para esse tipo de crime.”
Polícia alerta para aumento dos casos
Segundo a delegada Clécia Vasconcelos, titular da Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI) e da Delegacia Especial dos Crimes contra Crianças e Adolescentes de Feira de Santana, cerca de 50 vítimas procuraram a Polícia Civil apenas neste ano por casos envolvendo deepfakes sexuais no município.
De acordo com a delegada, o número de ocorrências triplicou em relação aos anos anteriores, principalmente entre adolescentes e no ambiente escolar. Ela destacou que aproximadamente 98% das vítimas desse tipo de crime são mulheres.
“É a forma mais perversa do cyberbullying. Podemos afirmar que neste ano já triplicou o número de casos dessa natureza, principalmente no ambiente escolar.”
Segundo a delegada Clécia Vasconcelos, preservar as evidências é essencial para identificar os responsáveis e responsabilizá-los na forma da lei.
As investigações seguem em andamento para a conclusão do inquérito.
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