Família contesta versão da PM e afirma que vendedor de lanches foi morto na porta de casa em Salvador

Familiares e moradores da comunidade de Lessa Ribeiro, no bairro de São Cristóvão, em Salvador, contestam a versão apresentada pela Polícia Militar sobre a morte do vendedor de lanches Leonardo Gil Lima, conhecido como “Léo Lanches”, de 33 anos. Segundo eles, o trabalhador foi baleado na porta da própria residência, não estava armado e não tinha qualquer envolvimento com atividades criminosas.
Tânia Yoshida atualiza obras do Hospital ACM e anuncia avanço de novo poço na Urbis II
O caso ocorreu na noite de quinta-feira (23/7) e provocou comoção na comunidade, que realizou manifestações pedindo justiça e esclarecimentos sobre a morte.
PM afirma que houve confronto durante patrulhamento
Em nota, a Polícia Militar informou que equipes da 49ª Companhia Independente (CIPM) realizavam patrulhamento na região quando encontraram homens armados e foram recebidas a tiros, dando início a um confronto.
Ainda conforme a corporação, após o fim da ocorrência, Leonardo foi encontrado baleado. Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Menandro de Farias, mas não resistiu aos ferimentos.
Familiares e moradores negam confronto
A versão oficial é contestada por familiares, amigos e vizinhos da vítima. Durante protestos realizados na quinta-feira (23) e nesta sexta-feira (24), moradores carregaram cartazes e gritaram palavras de ordem como “Léo é inocente”.
Uma moradora, que preferiu não se identificar, afirmou que Leonardo havia acabado de chegar do trabalho quando foi atingido pelos disparos.
Segundo ela, o vendedor transportava apenas a bolsa utilizada para carregar os lanches que comercializava e caiu ao lado da motocicleta logo após ser baleado.
Ainda de acordo com a vizinha, Leonardo era conhecido na comunidade por ser trabalhador, evangélico e pai de família.
Primo diz que vítima deixou esposa e dois filhos
O primo de Leonardo, identificado como Franklin, afirmou que o vendedor foi morto em frente à residência onde morava.
Segundo ele, a vítima havia inaugurado o próprio comércio havia apenas seis dias e vivia um momento de realização profissional.
Leonardo deixa esposa e dois filhos.
Um amigo da vítima, identificado como Wendel, contou que conversava com Leonardo por telefone momentos antes da ocorrência.
Segundo o relato, durante a ligação Leonardo interrompeu a conversa dizendo apenasA Polícia Militar informou que a ocorrência será apurada pela Polícia Civil e pela Corregedoria da corporação para esclarecer a dinâmica dos fatos para que o amigo aguardasse. Em seguida, Wendel afirma ter ouvido disparos e, pouco depois, recebeu a notícia da morte.
Ele descreveu Leonardo como um homem trabalhador e pai de família.
Caso será investigado pela Polícia Civil e Corregedoria
A Polícia Militar informou que a ocorrência será apurada pela Polícia Civil e pela Corregedoria da corporação para esclarecer a dinâmica dos fatos e as circunstâncias da morte.
Segundo a PM, os policiais envolvidos utilizavam câmeras corporais, e as imagens serão encaminhadas às autoridades responsáveis pela investigação.
A corporação informou ainda que o comandante-geral determinou a instauração de procedimento administrativo para apurar a atuação dos agentes e o afastamento dos policiais militares envolvidos na ocorrência.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) declarou solidariedade aos familiares e informou que tanto a Polícia Civil quanto a Corregedoria da Polícia Militar instauraram inquéritos para esclarecer o caso.

Protesto provoca mudanças no transporte público
Após a morte de Leonardo, um ônibus do transporte coletivo foi incendiado na Avenida Aliomar Baleeiro. De acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), o veículo fazia a linha 1036 – Estação Mussurunga x Fazenda Grande 2/Cajazeiras 8 e ficou completamente destruído.
Nesta sexta-feira (24), os ônibus deixaram de circular pelas ruas de São Cristóvão. A Semob informou que as linhas que passam pela região foram desviadas por Mussurunga e que os veículos com destino ao bairro estão operando apenas até a Avenida Dorival Caymmi, utilizando a Estação Mussurunga como ponto de apoio.
As investigações seguem em andamento para esclarecer as circunstâncias da morte de Leonardo Gil Lima. Enquanto isso, familiares e moradores aguardam a conclusão dos inquéritos e cobram responsabilização caso sejam identificadas irregularidades na atuação policial.
FALA GENEFAX quer ouvir você!
Viu algo importante acontecendo no seu bairro?
Mande fotos e vídeos para o nosso WhatsApp (75) 99190-1606
Sua colaboração pode virar destaque!
