Condenado por feminicídio em Amélia Rodrigues progride para regime semiaberto
Condenado a 15 anos por estrangular a companheira em 2017, ganha direito a saídas temporárias

A Justiça concedeu a progressão para o regime semiaberto a Adilson dos Santos Alves, condenado pelo feminicídio de sua companheira. A decisão, de 31 de março de 2026 pelo juiz Gabriel Igleses Veiga, da Vara de Execuções Penais de Feira de Santana, determinou a transferência do sentenciado para um estabelecimento penal adequado ao novo regime em um prazo de até sete dias.
Segundo os autos do processo, Adilson estava em regime fechado e foi sentenciado a uma pena total de 15 anos de prisão. Até o momento da decisão, ele havia cumprido 6 anos, 1 mês e 27 dias da condenação, restando 8 anos, 10 meses e 3 dias de pena a cumprir. O magistrado considerou que o apenado preencheu o requisito temporal objetivo e as condições subjetivas de bom comportamento carcerário para obter o benefício.
Além da mudança de regime para o semiaberto, a Justiça deferiu o pedido de saídas temporárias. O apenado foi autorizado a deixar o estabelecimento prisional por sete dias, para visitas familiares, em cinco períodos já definidos no calendário anual. O documento de execução penal informa que a residência do executado fica no bairro da Serra, em Amélia Rodrigues. Durante o benefício extramuros, ele deverá se submeter ao uso contínuo de monitoramento eletrônico.

Relembre o Caso
O crime ocorreu no ano de 2017 e causou profunda comoção e revolta na cidade de Amélia Rodrigues. Sueli dos Santos Alves foi brutalmente assassinada pelo próprio companheiro por estrangulamento (asfixia mecânica). O corpo da vítima foi encontrado no banheiro de sua residência, localizada na Rua Cardoso de Menezes, no bairro da Serra.
Na época, a população demonstrou forte indignação com o caso, sentimento que foi agravado pelo fato de o acusado ter sido liberado pelo Poder Judiciário local apenas três meses após a sua apreensão inicial. Relatos apontavam que Sueli era refém de um relacionamento extremamente conturbado, marcado por um longo histórico de ameaças e episódios de cárcere privado. Apenas em 2022, a família de Sueli pôde ver a Justiça sendo formalizada, quando um júri popular sentenciou Adilson aos 15 anos de reclusão pelo crime de feminicídio.
O jornalista Genefax faz reprodução simulada de feminicídio
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A Realidade do Feminicídio na Bahia
A progressão de regime em casos de feminicídio frequentemente deixa uma sensação de impunidade e a real eficácia das leis de proteção à mulher no Brasil. Enquanto agressores condenados retornam, de forma progressiva, ao convívio social, as estatísticas de violência de gênero continuam a escancarar uma realidade sangrenta.
Os dados mais recentes da Segurança Pública evidenciam que a violência letal contra a mulher não recuou como o esperado. Em 2025, o Brasil bateu um recorde histórico alarmante, registrando 1.470 feminicídios — o que equivale à trágica média de quatro mulheres mortas por dia no país devido à sua condição de gênero.
A Bahia, infelizmente, segue consolidada nesse triste cenário nacional. O estado encerrou o último ano figurando novamente entre os três com o maior número absoluto de casos, ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, contabilizando mais de 100 assassinatos de mulheres registrados como feminicídio em 2025.
Estes números mostram que, apesar do endurecimento das legislações federais nos últimos anos, a estrutura de segurança pública e a cultura machista ainda vencem a vida das mulheres, especialmente no interior do estado. O caso de Sueli, estrangulada dentro de casa pelo homem que dizia amá-la, reflete perfeitamente a dinâmica da esmagadora maioria desses crimes: a morte sendo o ponto final de um longo e doloroso ciclo de abusos, prisões, solturas e vulnerabilidade silenciada.
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