Homem negro aparece acorrentado em ato de Flávio Bolsonaro
Ministério da Igualdade Racial acionou órgãos federais após vídeo mostrar apoiador conduzindo homem negro por uma corrente durante manifestação política

O Ministério da Igualdade Racial pediu, neste domingo (25), a investigação de um possível crime de racismo durante um ato de campanha do senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL). O caso aconteceu no sábado (24), na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo que mostra um homem branco conduzindo um homem negro acorrentado.
As imagens foram registradas durante a última manifestação de campanha do candidato, realizada na Praça do Ó, na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
Diante da repercussão, o Ministério da Igualdade Racial encaminhou ofícios ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e à Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, solicitando providências para apurar a possível prática de racismo.
Vídeo mostra homem negro acorrentado durante manifestação
Na gravação, feita pelo jornalista francês Raphaël Bernard, um apoiador de Flávio Bolsonaro aparece usando roupas com as cores da bandeira brasileira enquanto segura uma corrente presa a um homem negro.
O homem acorrentado veste roupas com referências ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também carrega um tridente vermelho.
Durante a manifestação, o apoiador utiliza expressões como “Luladrão”, “Satanás” e “Capiroto” para se referir ao personagem representado pelo homem acorrentado.
A cena ocorreu durante o evento conhecido como “Bloco do 22”, que reuniu apoiadores de Flávio Bolsonaro no encerramento da campanha eleitoral.
O candidato participou da manifestação em um trio elétrico, acompanhado de aliados políticos, entre eles o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL).
Até o momento, não foram esclarecidas as identidades dos dois homens envolvidos na encenação nem se a representação havia sido previamente combinada.
Ministério da Igualdade Racial condena cena e cobra providências
Em nota, o Ministério da Igualdade Racial classificou o episódio como inaceitável e afirmou que a imagem de uma pessoa negra acorrentada remete à violência praticada durante o período da escravidão no Brasil.
“É inaceitável que uma pessoa negra seja acorrentada e humilhada, especialmente por reproduzir uma dinâmica já reconhecida pela Organização das Nações Unidas como o maior crime já cometido contra a humanidade”, declarou a pasta.
O ministério também destacou que a utilização desse tipo de representação em manifestações políticas reforça referências históricas de violência contra a população negra.
Com isso, o órgão federal solicitou que as autoridades competentes analisem as imagens e adotem as medidas legais cabíveis.
Anielle Franco também cobra investigação
A deputada federal eleita Anielle Franco (PT-RJ) também se manifestou sobre o episódio. Em publicação nas redes sociais, ela informou que procuraria o Ministério da Igualdade Racial para solicitar providências.
Anielle também mencionou outro caso registrado durante uma manifestação de apoio a Flávio Bolsonaro, em Belo Horizonte, onde uma mulher rasgou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
A parlamentar pediu que as autoridades analisem a possível ocorrência de racismo no Rio de Janeiro e de intolerância religiosa na capital mineira.
Caso poderá ser investigado como crime de racismo
A Constituição Federal estabelece que o racismo é crime inafiançável e imprescritível. Entretanto, a definição sobre a existência de crime no episódio dependerá da investigação e da análise das circunstâncias em que a encenação ocorreu.
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