“Doa em quem doer”: prefeito de Terra Nova anuncia demissão em massa de contratados

Durante sessão da Câmara Municipal, Éder de Nilda afirmou que precisa reduzir a folha de pagamento para evitar atrasos salariais

A noite desta quarta-feira (14) ficou marcada por muita tensão, anúncios drásticos e um clima de retaliação na política local. Durante o seu discurso na 22.ª Sessão Ordinária da Câmara de Terra Nova, o prefeito Éder de Nilda (Republicanos) chocou os presentes ao confirmar um despedimento em massa em Terra Nova, visando os funcionários contratados pelo município.

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Éder justificou oficialmente a medida radical com a urgência de travar um colapso financeiro. Segundo o gestor, manter a atual folha de pagamentos transformaria a administração num verdadeiro caos, acumulando salários em atraso e fornecedores sem receber.

“Não é porque é o último mandato que vou ter de deixar as coisas a rodar da forma que alguns querem. Chegou o momento de redução para o nosso município. Vamos, sim, diminuir a folha e reduzir o quadro de funcionários, porque não há condições de manter este número”, disparou o prefeito no plenário.

BASTIDORES DA CRISE: Boatos, jornal clandestino e a ira do prefeito

Entretanto, nos bastidores da política local, a decisão drástica ganhou contornos de revolta pessoal. Boatos que circulam com força pelas ruas da cidade dão conta de que o prefeito ficou magoado e irritado com os recentes comentários depreciativos feitos pelos próprios servidores contratados.

Além da percebida ingratidão, o verdadeiro estopim para a fúria do gestor teria sido a circulação recente de um jornal clandestino no município. O material apócrifo denunciava atrasos de salários por parte da prefeitura. Consequentemente, sentindo-se atacado por aqueles que a própria gestão empregou, Éder de Nilda decidiu “passar o rodo” sem olhar a quem.

“O CPF é de Edson Pedro Menezes. Doa a quem doer. Hoje, o ‘monstro’, como alguns estão a dizer, manteve muitos na folha durante quase seis anos. Agora eu sou o mau da fita, não presto. Mas prefiro sofrer com um número pequeno de funcionários e manter a gestão a funcionar”, desabafou o prefeito, enviando um recado direto aos críticos.

Adicionalmente, o líder do executivo alertou para o risco real de paralisação caso a folha não sofra este corte severo. Se as contratações continuassem, a autarquia não teria sequer dinheiro para pagar aos funcionários efetivos no mês de novembro.

Dessa forma, a bola de neve afetaria diretamente o cidadão comum. O colapso resultaria na falta de medicamentos nas unidades de saúde, escassez de materiais para obras e até na paragem dos transportes que levam os jovens estudantes a Feira de Santana por falta de pagamento aos postos de combustível.

Por outro lado, a crise forçará uma mudança estrutural histórica na cidade. O prefeito aproveitou o clima de tensão para anunciar que Terra Nova terá, finalmente, um concurso público. A cidade não realiza qualquer certame deste tipo desde 2007, acumulando quase duas décadas de contratações diretas e indicações políticas.

Por fim, Éder de Nilda revelou que o Ministério Público já havia notificado todos os gestores anteriores sobre esta grave irregularidade.

“Através do concurso público, entram as pessoas que realmente estudam e se dedicam, acabando com as seleções por indicação”, concluiu o gestor.

Apesar de confirmar a intenção de reduzir o quadro de contratados, o prefeito não informou quantos funcionários serão desligados nem quando os cortes começarão.

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