Caso Mãe Bernadete: terceiro acusado é condenado a 28 anos de prisão
Josevan Dionísio dos Santos foi julgado em Salvador três anos após o assassinato da ialorixá e líder quilombola

Um terceiro acusado pelo assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete foi condenado a 28 anos de prisão nesta terça-feira (13/10), em Salvador. Josevan Dionísio dos Santos foi submetido a júri popular três anos após o crime, ocorrido em agosto de 2023, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS).
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De acordo com informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. A defesa de Josevan informou que pretende recorrer da decisão.
O julgamento é mais uma etapa do processo judicial que apura o assassinato da liderança religiosa, conhecida pela atuação na defesa dos direitos das comunidades quilombolas. Outros acusados já foram julgados, enquanto três ainda aguardam julgamento.
Mãe Bernadete foi assassinada em agosto de 2023, dentro da própria casa, no quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
Na ocasião, ela estava com três netos quando dois homens usando capacetes entraram no imóvel. Os jovens foram retirados da sala, e a líder quilombola foi atingida por 25 disparos.
Segundo as investigações policiais, o crime teria sido ordenado por uma liderança do tráfico de drogas que atuava na região. A apuração apontou diferentes níveis de participação dos suspeitos, desde a execução até o apoio logístico e a receptação dos celulares roubados da vítima e de familiares.

Veja o que se sabe sobre a atuação de cada um dos suspeitos:
Seis suspeitos foram apontados como envolvidos no caso. Entre eles, há pessoas acusadas de executar o crime, de planejar o homicídio e de prestar auxílio aos envolvidos.
- Josevan Dionísio dos Santos: condenado a 28 anos
Josevan foi preso em setembro de 2025, dois anos após o assassinato, depois de fazer a companheira e dois filhos reféns em Simões Filho.
Apontado como um dos suspeitos de executar o homicídio, ele foi levado a júri popular nesta terça-feira (13) e condenado a 28 anos de prisão, em regime inicialmente fechado. A defesa anunciou que recorrerá da sentença.
- Arielson da Conceição dos Santos: condenado a mais de 40 anos
Apontado como um dos executores do assassinato, Arielson da Conceição dos Santos foi condenado em abril a 40 anos, cinco meses e 22 dias de prisão.
Ele já estava preso preventivamente quando foi submetido a julgamento. A condenação ocorreu no mesmo período em que Marílio dos Santos também foi julgado pelo caso.
- Marílio dos Santos: apontado como mandante
Marílio dos Santos foi apontado pelas investigações como mandante do assassinato e uma das lideranças do tráfico de drogas na região.
Segundo a apuração policial, o crime teria sido motivado pela oposição de Mãe Bernadete às atividades criminosas do grupo. Embora estivesse foragido, ele foi julgado pelo Tribunal do Júri por ter advogado constituído.
Marílio foi condenado a 29 anos e nove meses de prisão. Dois dias após a sentença, morreu durante uma troca de tiros com policiais militares.
- Sérgio Ferreira de Jesus: suspeito de receptação e participação no planejamento
Sérgio Ferreira de Jesus é suspeito de receptar os celulares roubados de Mãe Bernadete e de familiares no dia do crime.
Ele também é apontado pelas investigações como possível instigador do homicídio. Conforme as informações do caso, um desentendimento anterior com a líder quilombola teria motivado sua participação, e ele teria indicado aos executores uma rota para chegar até a vítima.
O julgamento de Sérgio pelo Tribunal do Júri está previsto para 21 de outubro de 2026.
- Ydney Carlos dos Santos de Jesus: suspeito de auxiliar no plano
Ydney Carlos dos Santos de Jesus é apontado como suspeito de ajudar na articulação do assassinato.
Segundo as informações da investigação, ele era dono de uma barraca onde ocorreriam festas associadas ao comércio de drogas na região. Antes do homicídio, teria discutido com Mãe Bernadete.
Até as informações apresentadas sobre o caso, não havia data definida para seu julgamento.
- Carlos Conceição Santiago: suspeito de guardar armas e dar fuga
Carlos Conceição Santiago é suspeito de armazenar as armas utilizadas no assassinato e de ajudar Arielson da Conceição dos Santos a fugir após o crime.
O julgamento dele ainda não tinha data definida nas informações divulgadas.
Família de Mãe Bernadete recebeu indenização
Em 2025, familiares de Mãe Bernadete ingressaram com uma ação indenizatória contra a União e o Governo da Bahia. O processo apontou supostas falhas na proteção da liderança quilombola antes do assassinato e problemas relacionados às medidas adotadas após o crime.
A defesa da família pediu R$ 11,8 milhões por danos morais destinados aos três netos que estavam com a vítima no momento do homicídio e à filha da líder religiosa, mãe dos jovens.
Na época do assassinato, Mãe Bernadete estava incluída em um programa de proteção acompanhado pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia (SJDH), com atuação da Polícia Militar, havia pelo menos dois anos.
Em fevereiro de 2026, a Procuradoria-Geral do Estado da Bahia (PGE) informou que os pagamentos referentes à indenização dos familiares haviam sido concluídos. O órgão, porém, esclareceu que os valores efetivamente pagos são confidenciais.
Segundo a PGE, o caso foi solucionado por meio de um acordo administrativo. Jurandy Pacífico, filho de Mãe Bernadete, destacou o caráter protetivo e simbólico da iniciativa.
Apesar das penas aplicadas aos três acusados já julgados, outros investigados ainda precisam responder às acusações perante a Justiça.
O caso também mantém em evidência a discussão sobre a proteção de lideranças quilombolas e defensores de direitos humanos, especialmente em territórios afetados por conflitos e pela atuação de grupos criminosos.
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