Médica é suspeita de orientar equipe a ‘não dar alta para petistas’ em dia de eleição

Uma médica da Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), é suspeita de orientar funcionários a não dar alta a pacientes que fossem simpatizantes do Partido dos Trabalhadores (PT) durante o fim de semana das eleições. A mensagem teria sido enviada na sexta-feira (2/10), em um grupo privado de profissionais médicos.
Segundo denúncia encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF), a autora da mensagem seria Marcella Segato de Sousa Melo, chefe da ginecologia e obstetrícia da unidade.
A mensagem dizia: “Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista”.
A orientação teria sido feita às vésperas do domingo (4), quando os eleitores foram às urnas em Goiás para escolher presidente, governador, deputados federal e estadual e senador.
A defesa da médica não foi localizada. De acordo com o hospital, ela foi retirada da escala de trabalho.
Hospital diz que mensagem não representa posicionamento da instituição
Em nota, o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara afirmou que as manifestações ocorreram em um grupo interno e privado de médicos e que não representam o posicionamento da administração ou da instituição responsável pela gestão da unidade.
O hospital reforçou que decisões sobre internação, permanência e alta hospitalar devem ser tomadas exclusivamente com base em critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente, independentemente de convicções políticas, ideológicas ou religiosas.
A administração informou ainda que abriu procedimentos internos para apurar os fatos e que poderá adotar medidas cabíveis caso sejam identificadas condutas incompatíveis com as normas profissionais e institucionais.
Conselho de Medicina apura denúncia
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que apura o caso em sigilo. O órgão também solicitou esclarecimentos ao médico responsável técnico pela maternidade.
Segundo o conselho, denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas de forma sigilosa.
A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia também informou ter adotado medidas administrativas para investigar o caso e reforçado às equipes a necessidade de garantir atendimento adequado, ético e respeitoso a todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).
A maternidade afirmou que não adota posicionamento político-partidário e que mantém o compromisso com uma assistência impessoal, humanizada, ética e baseada em critérios técnicos.
Nota da maternidade
Em nota, o Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara afirmou que as mensagens atribuídas à médica são manifestações pessoais feitas em um grupo privado e que não representam a administração da unidade.
A instituição declarou que as decisões de internação, permanência e alta devem considerar exclusivamente critérios clínicos, técnicos, éticos e de segurança do paciente. Também informou que os fatos serão apurados internamente, com garantia de contraditório e observância das normas profissionais.
Caso sejam constatadas condutas incompatíveis com as regras da instituição, o hospital informou que adotará as medidas cabíveis.
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