Greve da Caixa e dos Correios continua; veja o que está em disputa e como ficam os serviços

Funcionários da Caixa Econômica Federal e dos Correios continuam em greve nesta quarta-feira (23/9), no 14º dia de paralisação. As duas categorias iniciaram o movimento em 10 de setembro, mas enfrentam situações diferentes nas negociações com as empresas.
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Na Caixa, uma audiência de mediação entre empregados e banco acontece nesta quarta (23) no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Já nos Correios, o TST retoma na quinta-feira (24), às 15h30, o julgamento do dissídio coletivo relacionado à greve.
Greve da Caixa: quais são as reivindicações?
O principal ponto de impasse entre os funcionários da Caixa e o banco é o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos trabalhadores.
A proposta apresentada pela Caixa para o acordo coletivo prevê mudanças no custeio do plano a partir de 2027. Entre elas estão a alteração de 8% para 9% no limite de participação da Caixa no financiamento e uma contribuição de 3,7% para empregados, aposentados e pensionistas. A proposta também reduz o valor da coparticipação em atendimentos de pronto-socorro e mantém o chamado pacto intergeracional.
A proposta foi rejeitada pelos empregados em assembleias realizadas na segunda-feira (21). No Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 59,3% dos participantes votaram contra.
Também estão em discussão reajustes salariais e benefícios. A Caixa propôs reajuste pelo INPC mais 0,6 ponto percentual em 2026 e 2027, além de reajuste de 4,6% nos benefícios em 2026.
O que acontece com a greve da Caixa?
O Ministério Público do Trabalho (MPT) levou a negociação ao TST, onde ocorre nesta quarta-feira uma audiência de mediação pré-processual entre as partes.
A audiência busca aproximar empregados e banco antes de um eventual processo de dissídio coletivo. Neste momento, não se trata de um julgamento da greve. A paralisação continua enquanto não houver acordo ou outra decisão que determine seu encerramento.
Como ficam os serviços da Caixa?
Mesmo durante a greve, vários serviços podem ser realizados por canais digitais e pontos alternativos de atendimento.
Pagamentos de contas e boletos podem ser feitos pelo aplicativo e pelo internet banking da Caixa, além de caixas eletrônicos, lotéricas e correspondentes Caixa Aqui.
Também é possível sacar e movimentar dinheiro pelos caixas eletrônicos e canais digitais, além de utilizar lotéricas e correspondentes Caixa Aqui para determinados serviços.
O pagamento do Bolsa Família segue o calendário previsto. Os beneficiários podem movimentar os recursos pelo Caixa Tem, utilizar o cartão para compras e realizar saques nos canais disponíveis.
No caso do FGTS, a maioria das modalidades de saque pode ser solicitada pelo aplicativo FGTS. Algumas etapas, porém, dependem de análise interna e podem não ser concluídas automaticamente durante a greve.
Processos relacionados ao financiamento da casa própria também podem ser iniciados e acompanhados por canais digitais. No entanto, etapas que dependem de atendimento ou análise de funcionários podem sofrer atrasos, como conferência de documentos, análise de propostas, liberação de documentos e assinatura de contratos.
Greve dos Correios: por que os trabalhadores pararam?
Nos Correios, uma das principais divergências também envolve o plano de saúde.
Os trabalhadores são contrários à mudança proposta pela empresa no modelo de custeio do CorreiosSaúde. A categoria teme que a alteração na participação dos Correios aumente os custos para empregados, aposentados e dependentes.
A campanha salarial também inclui reajustes e outros direitos previstos no acordo coletivo. A proposta apresentada pelos Correios prevê reajuste equivalente a 100% do INPC nos salários de 2026 e 2027 e nos principais benefícios.
Entre as reivindicações dos trabalhadores estão ainda a retomada do adicional de 70% sobre as férias e do pagamento de 200% pelo trabalho em dias de repouso ou feriados, além de outras gratificações e benefícios.
O que acontece com a greve dos Correios?
O TST começou a julgar o dissídio coletivo dos trabalhadores dos Correios na segunda-feira (21), mas interrompeu a análise depois que a estatal apresentou novos documentos relacionados ao pedido para que a greve fosse considerada abusiva.
Os sindicatos receberam 48 horas para analisar e se manifestar sobre os documentos. Por isso, o julgamento foi remarcado para quinta-feira (24), às 15h30. Enquanto isso, a greve continua.
O TST determinou que 80% do efetivo dos Correios seja mantido em atividade em cada unidade ou estabelecimento durante a paralisação, considerando a natureza essencial do serviço postal.
Como a greve dos Correios afeta as entregas?
Os Correios afirmam que mantêm os serviços e adotaram medidas para reduzir os impactos da paralisação, incluindo remanejamento de funcionários, deslocamento de veículos e mutirões para manter o fluxo de encomendas.
Apesar disso, consumidores e pequenos vendedores relataram atrasos, objetos sem atualização no rastreamento e problemas relacionados aos prazos de entrega. As agências continuam funcionando, mas o tratamento e a distribuição das encomendas podem ser afetados conforme a adesão à greve em cada localidade.
Minha encomenda está atrasada. O que fazer?
A orientação inicial é acompanhar o rastreamento da encomenda pelos canais dos Correios. A empresa recomenda que os clientes aguardem a entrega no endereço informado e, em situações específicas, procurem os canais oficiais de atendimento.
Para quem vende pela internet, os atrasos podem afetar os prazos informados aos consumidores e também o fluxo de devoluções e reembolsos.
Próximos passos das greves
As greves da Caixa e dos Correios continuam nesta quarta-feira (23), mas seguem caminhos diferentes no TST.
Na Caixa, a negociação passa por uma audiência de mediação pré-processual nesta quarta-feira, depois que os empregados rejeitaram a terceira proposta apresentada pelo banco.
Nos Correios, o TST retoma na quinta-feira (24), às 15h30, o julgamento do dissídio coletivo relacionado à paralisação.
Até que haja acordo ou decisão que determine o encerramento dos movimentos, as duas greves continuam.
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