Fé, tradição e ancestralidade marcam Lavagem de Nossa Senhora da Oliveira em Santo Amaro
Celebração realizada neste domingo (6), em Oliveira dos Campinhos, reuniu moradores, baianas, representantes religiosos e autoridades

As ruas de Oliveira dos Campinhos, distrito de Santo Amaro, foram tomadas por fé, música, ancestralidade e tradição neste domingo (6) durante a tradicional Lavagem de Nossa Senhora da Oliveira. O cortejo reuniu moradores, visitantes, baianas, representantes de religiões de matriz africana e autoridades públicas, revivendo uma manifestação que atravessa gerações e mantém vivas as raízes culturais da comunidade.
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A celebração representa muito mais do que um momento festivo. Para quem participa todos os anos, a lavagem é também uma demonstração de fé, resistência, identidade e respeito à história construída pelos antepassados.

O prefeito de Santo Amaro, Flaviano Bomfim (União Brasil), acompanhou a programação e afirmou que a gestão municipal tem buscado garantir apoio às manifestações religiosas e culturais do distrito.
“Para minha felicidade, mais um ano aqui. É uma manifestação cultural e religiosa da comunidade de Oliveira dos Campinhos. A gestão está presente, apoiando e dando total suporte, tanto à questão religiosa quanto à parte festiva. O prefeito se fazendo presente, participando junto com a nossa charanga, as baianas, com muita felicidade e mantendo as tradições.”

Flaviano também destacou que procura aproveitar as visitas às comunidades para ouvir pessoalmente as demandas dos moradores.
“É o nosso papel. Eu vivo aqui em Santo Amaro, moro aqui, então meu trabalho é passar o dia nas comunidades, ouvindo as pessoas, os reclames, os desejos e tentando resolver o mais breve possível.”

Ao falar sobre o significado religioso da celebração, o prefeito deixou uma mensagem de fé e esperança.
“As pessoas precisam continuar tendo muita fé. Às vezes a gente se pega com alguns problemas e acaba perdendo a fé. A gente precisa manter a fé e, agora mais do que nunca, a esperança de um futuro melhor para os nossos jovens.”

Um dos depoimentos mais marcantes foi o de Antônio Carlos Carvalho dos Santos, conhecido como Paitó, que ressaltou a dimensão histórica e ancestral da lavagem.
“É uma expressão de carinho, de amor, de respeito e de resistência por tudo que os nossos ancestrais nos deixaram. Para nós, negros, pretos, homens e mulheres de Candomblé, isso é resistência, isso é potência, isso é alegria e afirmação para o futuro dos nossos.”

Paitó também destacou a participação popular e o envolvimento de pessoas que aguardam a celebração durante todo o ano.
“É uma festa anual, então todo mundo espera tomar um banho de folha, sentir o perfume de alfazema, receber um passe e pedir aos orixás um ano próspero, saúde e paz. A população se envolve nisso, que é uma questão de fé, resistência e religião.”

O presidente da Câmara Municipal de Santo Amaro, Kleber Feião, também participou da programação e ressaltou a importância da presença conjunta dos poderes Executivo e Legislativo nas manifestações tradicionais do município.
“Você vê a importância dos vereadores, do Legislativo e do Executivo. Você vê o calor humano, o povo abraçando o prefeito, abraçando os vereadores. Já é o segundo ano que a gente participa da festa e estou gostando. É importante o prefeito e os vereadores participarem dos eventos aqui em Oliveira dos Campinhos.”

Kleber afirmou ainda que procura acompanhar as atividades realizadas tanto na sede quanto nas comunidades rurais.
“Sempre que eu posso, estou vindo. Estou sempre presente e à disposição do povo. A gente tem que ir para a zona rural, dar atenção às reivindicações das pessoas, passar para o prefeito e conseguir resolver.”

A trabalhadora rural Clarice Jesus Santos falou sobre sua ligação com a celebração e destacou a importância do evento para as pessoas ligadas ao Axé.
“Para mim, essa data é muito importante, porque é uma celebração do pessoal do Axé, do fundamento do Axé. É muito importante para mim.”
Clarice contou que participa desse tipo de manifestação há cerca de 15 anos, tendo acompanhado celebrações em Salvador, Bento Simões, Oliveira dos Campinhos e Santo Amaro.
“É uma felicidade. Muito feliz. Venho acompanhando há 15 anos.”

Para Ubirajara José de Jesus, conhecido como Jairinho, manter a Lavagem de Nossa Senhora da Oliveira significa preservar uma tradição muito antiga da comunidade.
“É uma tradição muito antiga. É um folguedo e a gente não pode deixar de manter essa tradição.”
Ubirajara explicou que procura seguir o mesmo trajeto realizado no passado por sua mãe, que participava diretamente da organização da lavagem e das baianas.

“O trajeto que fazemos é o trajeto que minha mãe fazia antigamente. Ela organizava, inclusive, as baianas. Hoje eu sigo o mesmo trajeto porque acho importante manter exatamente a tradição como ela é.”
Para Ubirajara, preservar as raízes é fundamental para fortalecer a própria identidade da comunidade.

“Todas as comunidades que mantêm sua tradição e suas raízes sempre têm um futuro muito forte, porque isso marca muito. Não é só uma questão do Candomblé ou do catolicismo. Tem por trás de tudo isso uma vontade popular, um desejo da população que é expressado nesses momentos.”
Ele também reconheceu o apoio oferecido pela Prefeitura de Santo Amaro e pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo para a manutenção das festas tradicionais de Oliveira dos Campinhos.

A Lavagem de Nossa Senhora da Oliveira encerrou mais um capítulo de uma tradição que une diferentes expressões religiosas e culturais e que continua sendo transmitida de geração em geração em Oliveira dos Campinhos.
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