Avalanche de lama deixa 362 mortos e cerca de 1.500 desaparecidos entre Nepal e Tibete

O número de mortos na avalanche de lama que atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, chegou a 362 nesta quinta-feira (27/8). Segundo autoridades dos dois países, 1.468 pessoas estão desaparecidas. As equipes de resgate continuam trabalhando nas áreas devastadas em busca de sobreviventes.
Irmão Cláudio destaca conquistas na saúde e solicita ponto de apoio na Avenida Arthur Costa e Silva, em Amélia Rodrigues
Do total de vítimas, 359 mortes foram registradas no Nepal e três no Tibete. A tragédia aconteceu na quarta-feira (26), depois que uma avalanche de gelo e rochas atingiu um rio e provocou uma enorme enxurrada de água, lama e destroços.
Quase 1.500 pessoas estão desaparecidas
Os balanços oficiais apontam 910 desaparecidos no Nepal e 558 no Tibete.
No Nepal, mais de 700 dos desaparecidos são estrangeiros. Entre eles estão:
- 178 indianos;
- 65 americanos;
- 53 ucranianos;
- 51 malaios;
- 35 australianos;
- 33 britânicos;
- 25 canadenses.
No Tibete, 260 dos 558 desaparecidos são estrangeiros.
A presença de centenas de turistas e peregrinos entre as pessoas atingidas aumentou a preocupação das autoridades de diferentes países.
Enxurrada destruiu vilarejos e estruturas
No Nepal, a enchente atingiu áreas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi. A região de Gyirong, no Tibete, também foi afetada.
Casas, estradas, pontes e instalações de energia foram danificadas ou destruídas pela força da água, da lama e dos detritos.
A região fica na fronteira entre o Nepal e a China e é cercada pela Cordilheira do Himalaia. Apesar de pouco povoada, a área possui cidades e vilarejos, usinas hidrelétricas, um porto e um importante posto de fronteira utilizado por pessoas que transitam entre os dois países.
Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que a avalanche avançou sobre a região, enquanto pessoas tentavam fugir do deslizamento.
Colapso de geleira é principal hipótese
As autoridades ainda investigam as causas da tragédia. A principal hipótese é que o colapso de uma geleira na montanha Langtang Lirung, que possui mais de 7 mil metros de altitude, tenha provocado a avalanche.
Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos apontou a ocorrência de um terremoto na região. Posteriormente, porém, o órgão esclareceu que o tremor registrado havia sido provocado pelo próprio colapso da geleira.
Após o deslizamento, uma grande quantidade de gelo, rochas e água armazenada em reservatórios naturais desceu pela montanha. O material atingiu o canal do rio Lhende Khola e provocou uma poderosa onda de inundação que avançou sobre áreas habitadas.
Equipes de resgate enfrentam dificuldades
As operações de resgate continuam, mas o trabalho é dificultado pela grande quantidade de lama e escombros.
O Exército nepalês realizou sobrevoos na região e resgatou dezenas de pessoas. Moradores de áreas próximas aos rios também receberam orientações para deixar suas casas.
Além das dificuldades de acesso, existe preocupação com a possibilidade de uma nova inundação.
Um bloqueio de detritos permanece em uma área mais alta do rio, na região de fronteira entre Nepal e China. Especialistas alertam que o represamento pode provocar uma segunda onda de inundação caso seja rompido.
Segundo Qianggong Zhang, diretor de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas (ICIMOD), a existência do bloqueio mantém o risco de uma nova enchente.
Chuvas de monção aumentam risco de desastres
A região do sul da Ásia enfrenta, entre junho e setembro, o período de chuvas de monção. As precipitações intensas costumam provocar inundações e deslizamentos em diferentes áreas.
Cientistas também alertam que o aquecimento global pode aumentar a frequência e a intensidade de eventos extremos relacionados ao clima na região.
Estados Unidos anunciam ajuda
Diante da dimensão da tragédia, os Estados Unidos anunciaram uma ajuda de US$ 500 mil, aproximadamente R$ 2,5 milhões, para apoiar as operações de emergência.
O presidente da China, Xi Jinping, também afirmou que a prioridade das autoridades deve ser localizar e resgatar as pessoas desaparecidas.
Enquanto os governos mobilizam equipes e recursos, as buscas continuam nas áreas atingidas pela avalanche, em uma corrida contra o tempo para encontrar sobreviventes.
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