Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida genérica do país

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou, em 2026, o número de medicamentos à base de semaglutida autorizados no Brasil. O movimento aumenta a concorrência no mercado de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, utilizados principalmente no tratamento do diabetes tipo 2.

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O primeiro produto de semaglutida sintética aprovado pela agência foi o Ozivy, desenvolvido pela EMS. Apesar de utilizar o mesmo princípio ativo do Ozempic, o medicamento não é um genérico nem um similar. A Anvisa classificou o Ozivy como medicamento novo, produzido a partir de semaglutida sintética.

Ozivy não é genérico do Ozempic

Uma correção importante em relação às informações que circulam sobre o produto é que não existe, até o momento, um “genérico do Ozempic” chamado Ozivy.

O Ozempic é um medicamento biológico, enquanto o Ozivy foi desenvolvido com semaglutida produzida por síntese química. Por essa razão, a Anvisa registrou o produto em uma categoria regulatória própria, como medicamento novo análogo sintético de um produto biológico.

O Ozivy recebeu registro da Anvisa em 26 de maio de 2026 e é indicado para adultos com diabetes mellitus tipo 2 cujo controle da doença não seja adequado apenas com dieta e exercícios.

Medicamento já chegou às farmácias

Após a aprovação sanitária, a EMS iniciou a distribuição do Ozivy em junho. O produto chegou inicialmente às principais redes farmacêuticas das capitais e teve expansão progressiva para outras regiões do país.

O preço informado no lançamento foi de R$ 452 por caneta, com possibilidade de descontos em programas da fabricante. O preço máximo ao consumidor posteriormente regulamentado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) chegou a R$ 664,02 por caneta.

Anvisa aprova outros cinco medicamentos com semaglutida

Em 29 de julho, a Anvisa aprovou o registro de cinco novos medicamentos à base de semaglutida. Segundo o Ministério da Saúde, a medida busca ampliar o acesso, estimular a concorrência e contribuir para a redução dos preços no mercado brasileiro.

Os medicamentos aprovados foram:

  • Owozy, da Ávita Care;
  • Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil;
  • Zempneo, da Brainfarma;
  • Semavy, da Cosmed;
  • Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica.

A Anvisa informou que dois deles, Zempneo e Semavy, têm previsão de produção nacional após a conclusão da transferência de tecnologia para empresas brasileiras.

Produção nacional pode aumentar a concorrência

A ampliação do número de medicamentos registrados tende a aumentar a oferta de semaglutida no país. Segundo o Ministério da Saúde, dois dos produtos registrados até julho já eram produzidos em território nacional: o Ozivy, da EMS, e outro medicamento da Germed Farmacêutica.

A expectativa é que o aumento da concorrência entre fabricantes possa favorecer o acesso aos tratamentos e pressionar os preços para baixo. A Anvisa também adotou medidas para reduzir a fila de análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida.

Semaglutida é indicada para emagrecimento?

Embora a semaglutida tenha se popularizado como princípio ativo de medicamentos utilizados para controle do peso, as indicações dependem do registro específico de cada produto.

No caso do Ozivy, a indicação aprovada pela Anvisa é para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. Portanto, o medicamento não deve ser tratado automaticamente como uma “caneta emagrecedora” ou utilizado por conta própria para perda de peso.

Os medicamentos à base de semaglutida são de venda sob prescrição médica e com retenção da receita, conforme a regulamentação aplicável. O uso deve ocorrer com acompanhamento profissional, especialmente por se tratar de medicamentos que atuam no metabolismo e podem apresentar contraindicações e efeitos adversos.

Semaglutida ainda não é oferecida pelo SUS

Apesar do avanço nos registros, os medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 ainda não são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) de forma incorporada.

O Ministério da Saúde informou que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) analisa um pedido de incorporação da semaglutida. Paralelamente, o governo iniciou um protocolo para acompanhar o uso desses medicamentos em pacientes com obesidade grave, com resultados esperados para 2027.

 

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