“A Terreal ganhou os lotes, não a sede da fazenda”, diz Marcinho Paredão ao contestar decisão da Justiça
Filho do antigo proprietário da Fazenda Madruga procurou o FALA GENEFAX após reportagem sobre decisão favorável à Terreal

A complexa disputa judicial envolvendo a Fazenda Madruga e o loteamento Vivendas Príncipe da Paz, localizados no bairro de Nova Brasília, em Conceição do Jacuípe, ganhou um novo e importante capítulo nesta segunda-feira (10).
Márcio da Silva Oliveira, popularmente conhecido como Marcinho Paredão, procurou a equipe de reportagem do FALA GENEFAX para dar voz à sua versão dos fatos e contestar reportagem veiculada pelo portal no último dia 29 de julho.
A matéria informou que o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), por unanimidade, manteve decisão favorável à Terreal Universo Imobiliário Ltda. no processo que envolve a posse da área onde foi implantado o loteamento Vivendas Príncipe da Paz, em Conceição do Jacuípe.
Segundo a decisão divulgada, a Quarta Câmara Cível rejeitou o recurso apresentado pela sucessora de Mário Cerqueira Oliveira, conhecido como Mário Fruta Pão, e reconheceu que a Terreal comprovou a posse sobre a área em que realizou obras, estruturou o loteamento e negociou terrenos com compradores.
Marcinho é filho de Mário Cerqueira Oliveira, o saudoso “Mário Fruta Pão”, antigo proprietário da Fazenda Madruga. Durante a entrevista exclusiva, ele explicou que a propriedade foi, de fato, negociada com a empresa Terreal Universo Imobiliário. O acordo previa o pagamento parcelado da área.
No entanto, o cerne da divergência atual reside no cumprimento desse acordo. Segundo Marcinho, a empresa não quitou integralmente os valores previstos no contrato.
“Ele comprou a fazenda toda. Ele comprou para ir pagando. Ao decorrer do tempo que ele fosse pagando, a gente ia entregando as terras a ele. Só que, sendo que ele não pagou, ele queria ser dono de alguma coisa que ele não pagou”, declarou o herdeiro. Marcinho sustenta ainda que existem valores pendentes de juros previstos na negociação inicial.

Durante a conversa, realizada nas dependências da própria Fazenda Madruga, Marcinho foi transparente ao reconhecer que já existe uma decisão judicial favorável à imobiliária. “A Terreal ganhou os lotes pela Justiça”, afirmou.
Contudo, a família faz uma interpretação mais restrita sobre o alcance dessa decisão. Eles defendem que a posse da sede da fazenda e das áreas imediatamente no entorno permanece com os herdeiros de Mário Fruta Pão. Para dar suporte a essa alegação e resolver o impasse, Marcinho informou que um trabalho profissional de georreferenciamento está sendo realizado na propriedade para demarcar exatamente os limites legais de cada uma das partes envolvidas.
O clima da disputa se torna mais tenso quando são abordados os termos legais envolvidos. Questionado sobre o uso da expressão “estelionato imobiliário” — uma acusação grave presente em notificações do caso —, Marcinho justificou sua posição de forma contundente:
“Quando você vende uma coisa que não é sua, que você não pagou, então você está cometendo um estelionato”, afirmou.
O jornalismo ético pressupõe a escuta de todas as partes envolvidas em um conflito. Com a publicação desta reportagem, apresentamos ao público a versão de Marcinho Paredão e da família de Mário Fruta Pão.
Reiteramos que o espaço permanece integralmente aberto aos representantes da Terreal Universo Imobiliário e ao senhor Alfredo Venceslau para que possam exercer o seu direito de resposta, contestar as declarações feitas, apresentar a documentação pertinente e esclarecer os pontos levantados nesta matéria.
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