MP-BA denuncia seis policiais por mortes de guia de turismo e suspeito durante operação

Ministério Público da Bahia pede afastamento cautelar dos agentes denunciados por homicídios qualificados e fraude processual.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) denunciou à Justiça seis policiais envolvidos na operação que resultou nas mortes do guia de turismo Victor Cerqueira Santos Santana, conhecido como Vitinho, e do suspeito Davisson Sampaio dos Santos, o Alongado, no distrito de Caraíva, em Porto Seguro, no extremo sul da Bahia.

Dr. Angelo Gabriel oferece lentes nos dentes com preço acessível em Coração de Maria

A informação foi divulgada nesta quinta-feira (17/7). Além da denúncia criminal, o MP-BA solicitou o afastamento cautelar dos agentes de suas funções durante a tramitação da ação penal.

Segundo o Ministério Público, quatro policiais militares e dois policiais civis foram denunciados por dois homicídios qualificados, cometidos por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas, com emprego de arma de fogo de uso restrito e por meio que resultou em perigo comum.

Os nomes dos agentes não foram divulgados. O órgão informou que acompanha o caso desde o início das investigações.

A denúncia tem como base o Procedimento Investigatório Criminal (PIC), que apontou que a operação foi realizada de forma coordenada, com policiais fortemente armados e utilizando equipamentos táticos durante a chamada Operação Travessia, realizada em 10 de maio de 2025.

De acordo com o MP-BA, as provas reunidas indicam que uma das vítimas foi atingida por diversos disparos de arma de fogo em local público, sem possibilidade de reação.

A segunda vítima teria sido abordada, revistada e, em seguida, baleada pelos agentes.

Os laudos periciais também identificaram lesões compatíveis com agressões físicas anteriores aos disparos, reforçando a hipótese de que as mortes ocorreram fora de uma situação concreta de confronto.

Para o Ministério Público, os elementos colhidos demonstram que as vítimas estavam em condição de vulnerabilidade durante a ação policial.

Policiais civis também respondem por fraude processual

Além da acusação pelos homicídios, os dois policiais civis denunciados responderão também pelo crime de fraude processual, previsto no artigo 347 do Código Penal.

Segundo a investigação, eles teriam alterado artificialmente o cenário da ocorrência após as mortes.

O MP-BA informou ainda que a eventual participação dos policiais militares nesse mesmo crime será analisada pela Vara de Auditoria Militar, responsável por apurar possíveis infrações dessa natureza envolvendo integrantes da corporação.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) afirmou que todas as medidas investigativas foram adotadas para esclarecer a dinâmica da ocorrência e garantir transparência na apuração dos fatos.

A pasta, entretanto, não comentou especificamente a denúncia apresentada pelo Ministério Público.

Relembre o caso

A operação ocorreu em 10 de maio de 2025 e tinha como objetivo cumprir um mandado de prisão contra Davisson Sampaio dos Santos, conhecido como Alongado, apontado como líder de uma facção criminosa que atuava em Caraíva.

Além de policiais civis e militares, agentes federais participaram da ação.

Durante a investigação, a polícia identificou que o segurança do suspeito também era conhecido pelo apelido de “Vitinho”, o mesmo utilizado pelo guia de turismo Victor Cerqueira Santos Santana.

Familiares acreditam que o jovem tenha sido confundido com o segurança procurado.

Na ocasião, Vitinho trabalhava transportando turistas entre a balsa de acesso ao distrito e uma pousada onde prestava serviços.

Segundo relatos da família e de moradores, ao perceber a movimentação policial, ele abrigou turistas em um comércio próximo para protegê-los.

Momentos depois, ao sair para verificar se o local já estava seguro, foi abordado por policiais, algemado e levado.

Os familiares afirmam que o guia foi torturado antes de ser morto. Eles relataram que o corpo apresentava sinais de agressão, como marcas de algemas nos pulsos, arranhões nos joelhos e lesões no rosto.

O atestado de óbito, por sua vez, registra que Vitinho morreu em via pública em decorrência de politraumatismo torácico, choque hemorrágico e ferimentos provocados por disparos de arma de fogo.

Na época, a Polícia informou que o jovem teria resistido à prisão. Os corpos de Vitinho e de Alongado foram posteriormente exumados para auxiliar nas investigações conduzidas pelo Ministério Público.

FALA GENEFAX quer ouvir você!

Viu algo importante acontecendo no seu bairro? 📷🎥
Mande fotos e vídeos para o nosso WhatsApp (75) 99190-1606

Sua colaboração pode virar destaque!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Botão Voltar ao topo
Web Statistics