Rastro milionário: suspeita de esquema de R$ 38 milhões afasta vereador e secretário em Salvador
Justiça suspendeu o mandato de Gordinho da Favela e afastou Luciano Sandes durante investigação sobre contratos municipais.

A suspeita de esquema de R$ 38 milhões em Salvador provocou o afastamento de dois nomes ligados ao poder municipal. A Justiça suspendeu o mandato do vereador George Carlos Reis Pereira, o Gordinho da Favela (PP).
Além disso, afastou Luciano Sandes do cargo de secretário de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro.
A decisão surgiu após uma operação do Gaeco, deflagrada na segunda-feira (13). Segundo o Ministério Público da Bahia, o grupo investigado teria atuado durante aproximadamente dez anos.
Porém, um detalhe nos contratos chamou atenção especial dos investigadores.
A investigação apura possíveis fraudes em licitações, corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e pagamentos indevidos. O grupo teria dividido suas atividades entre núcleos empresarial, operacional e público.
De acordo com o MP-BA, empresas ligadas aos investigados alternavam participações em licitações. Essa estratégia teria criado uma aparência de concorrência. Enquanto isso, agentes públicos supostamente facilitavam contratos, aditivos e pagamentos.
Um dos casos envolve um pregão da Secretaria Municipal de Manutenção. O contrato começou em R$ 8,9 milhões, mas os pagamentos alcançaram R$ 15,2 milhões. Portanto, o aumento superou 60% e não teria justificativa técnica suficiente.
Outro contrato, ligado ao fornecimento de grama sintética, passou de R$ 434 mil para mais de R$ 1,4 milhão. As irregularidades em contratos públicos teriam atingido principalmente a Seman e a Desal.
Luciano Sandes comandou a Seman entre janeiro de 2021 e janeiro de 2023. Posteriormente, assumiu a Secretaria de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro.
Já Gordinho da Favela teria articulado interesses empresariais dentro da administração, segundo a apuração.
Justiça bloqueia bens, mas nega pedidos de prisão
A Justiça determinou o bloqueio de bens até o limite de R$ 38.321.127,95. Além disso, autorizou buscas em endereços ligados aos investigados e proibiu contatos entre alguns alvos.
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O Ministério Público pediu a prisão preventiva de seis pessoas, incluindo Sandes e o vereador. No entanto, a juíza considerou as medidas cautelares suficientes nesta fase.
A Prefeitura de Salvador informou que cumprirá a decisão e colaborará com as investigações. A gestão também abrirá um procedimento administrativo para verificar possíveis danos aos cofres municipais.

A defesa de Gordinho da Favela afirmou que demonstrará a legalidade da atuação do vereador. Luciano Sandes não havia se manifestado até a publicação das informações consultadas. Os citados permanecem como investigados, sem condenação definitiva no caso.
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