Presidente da Fifa nega interferência após Trump pedir revisão de expulsão de jogador dos EUA na Copa do Mundo

Infantino afirma que decisão de anular cartão vermelho de Folarin Balogun foi tomada de forma independente; Bélgica promete contestar elegibilidade do atacante.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, negou nesta segunda-feira (6) qualquer interferência política na decisão que anulou o cartão vermelho aplicado ao atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos, durante a partida contra a Bósnia e Herzegovina pela Copa do Mundo.

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A polêmica ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar publicamente que pediu a Infantino uma revisão da expulsão do jogador.

Infantino diz que decisão foi independente

Em comunicado, o dirigente confirmou ter recebido um telefonema de Trump, mas ressaltou que não teve qualquer influência sobre o julgamento do caso.

Segundo Infantino, apenas informou ao presidente norte-americano que havia um processo em andamento no Comitê Disciplinar da Fifa.

“Os órgãos judiciais da Fifa são independentes, eles atuam de forma autônoma. Eu leio as decisões do Comitê Disciplinar quando são emitidas. Às vezes concordo, às vezes discordo, mas sempre respeito essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam”, declarou.

Trump diz que apenas pediu revisão

Durante entrevista coletiva no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou que considerou injusta a expulsão do atacante e negou ter pressionado a entidade máxima do futebol.

“Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta. Eu não disse à Fifa o que fazer. O comitê tomou a decisão certa. É injusto excluir um dos melhores jogadores dos EUA.”

O presidente norte-americano também voltou a criticar a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus, responsável pela expulsão.

O lance ocorreu aos 18 minutos do segundo tempo da partida entre Estados Unidos e Bósnia e Herzegovina.

Após revisar a jogada no VAR, Raphael Claus aplicou o cartão vermelho direto a Balogun por um pisão no tornozelo do defensor Muharemovic.

Trump ainda levantou suspeitas sobre a atuação do árbitro, sem apresentar provas.

“Esse árbitro é um pouco suspeito. Se você verificar o passado dele… Não quero criar polêmica, mas foi uma marcação em que ninguém conseguiu acreditar.”

Bélgica promete contestar decisão da Fifa

A decisão de anular a expulsão provocou reação imediata da Federação Belga de Futebol, adversária dos Estados Unidos nas oitavas de final da Copa do Mundo.

Em nota oficial, a entidade informou que ainda não recebeu explicações formais da Fifa e afirmou que pretende contestar a elegibilidade de Balogun para a partida.

Segundo os belgas, o Artigo 66.4 do Código Disciplinar da Fifa estabelece que um cartão vermelho gera suspensão automática para o jogo seguinte.

A federação também argumenta que a decisão contraria o Artigo 10.5 do Regulamento da Copa do Mundo de 2026, que determina a suspensão automática em casos de expulsão.

Além da Bélgica, a Uefa e representantes da União Europeia manifestaram críticas à decisão da Fifa de anular o cartão vermelho após o pedido feito por Donald Trump.

A Federação Belga informou que avalia todas as medidas jurídicas cabíveis para preservar, segundo a entidade, os princípios do fair play e da igualdade entre as seleções participantes do torneio.

Antes da manifestação de Infantino, Trump já havia celebrado a decisão da Fifa nas redes sociais.

“Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!”, publicou.

O técnico da seleção dos Estados Unidos, Mauricio Pochettino, também comemorou a liberação do atacante.

“Fomos punidos o suficiente ao jogar com um homem a menos por 30 minutos em uma decisão completamente injusta. Acredito que 99,9% das pessoas concordam que aquele cartão vermelho foi injusto”, afirmou o treinador argentino.

 

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