Terremotos na Venezuela deixam 164 mortos e quase mil feridos; buscas por sobreviventes continuam
Mais de 500 equipes de emergência atuam nos resgates após os tremores mais fortes registrados no país em um século

A Venezuela enfrenta uma das maiores tragédias de sua história recente após dois fortes terremotos atingirem o país na noite de quarta-feira (24/6). Até a manhã desta quinta-feira (25), as autoridades confirmaram 164 mortes e 971 feridos, enquanto centenas de equipes de resgate continuam as buscas por sobreviventes sob os escombros.
Segundo o governo venezuelano, os tremores registraram magnitudes de 7,2 e 7,5 e foram seguidos por pelo menos 20 réplicas. Especialistas classificam os abalos como os mais intensos registrados no país nos últimos 100 anos.
Sobreviventes são encontrados entre os escombros
Imagens divulgadas pela imprensa e nas redes sociais mostram momentos de emoção durante os resgates. A cada sobrevivente retirado com vida dos destroços, moradores e equipes de emergência comemoram e aplaudem.
Mais de 500 equipes de socorro atuam nas áreas atingidas. Segundo a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, reforços internacionais devem chegar nas próximas horas para auxiliar nas operações.
Número de vítimas pode aumentar
Embora o balanço oficial registre 164 mortes, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) avalia que o total de vítimas fatais pode aumentar significativamente.
De acordo com estimativas preliminares do órgão, o número de mortos pode variar entre 10 mil e 100 mil, dependendo da extensão dos danos estruturais e do número de pessoas ainda desaparecidas.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas.
Governo decreta estado de emergência
Após os terremotos, o governo venezuelano decretou estado de emergência em todo o país.
As autoridades suspenderam aulas e interromperam serviços considerados não essenciais para concentrar esforços nas operações de busca e salvamento.
Além disso, redes de gás e energia elétrica foram desligadas preventivamente em várias regiões para evitar explosões e novos acidentes.
Diversos países manifestaram solidariedade à população venezuelana e colocaram equipes e recursos à disposição.
Entre os governos que anunciaram apoio estão Brasil, Estados Unidos, México, Turquia, Portugal e China.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou que autorizou todas as agências federais competentes a prestarem assistência humanitária.
Já o governo chinês afirmou que fornecerá apoio técnico e logístico às autoridades venezuelanas.
Como ocorreram os terremotos?
Os dois terremotos aconteceram pouco depois das 19h, no horário de Brasília, com menos de um minuto de intervalo.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos, os epicentros ficaram separados por apenas cinco quilômetros.
O tremor mais forte teve magnitude 7,5 e ocorreu próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 168 quilômetros de Caracas.
Os especialistas classificaram o terremoto como raso, já que ocorreu a aproximadamente 13 quilômetros de profundidade. Esse tipo de fenômeno costuma provocar danos mais severos em áreas urbanas.
Prédios, casas e hotel desabaram
Os terremotos provocaram destruição em várias regiões do país.
Em Caracas, edifícios residenciais e comerciais sofreram colapsos parciais ou totais. Equipes de resgate trabalham para localizar pessoas desaparecidas nos escombros. No litoral venezuelano, um hotel de pelo menos oito andares desabou completamente.
O Aeroporto Internacional Simón Bolívar também sofreu danos estruturais após parte do teto ceder. As operações foram suspensas por tempo indeterminado.
Hospitais da capital foram colocados em regime de emergência para atender o grande número de feridos.
Tremores foram sentidos no Brasil
A Rede Sismográfica Brasileira informou que os terremotos foram detectados por estações de monitoramento instaladas no país.
Moradores de cidades como Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá relataram ter sentido os tremores.
Segundo especialistas do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), terremotos dessa magnitude podem ser percebidos a grandes distâncias. Apesar disso, os cientistas afirmam que não houve risco de danos estruturais nas cidades brasileiras.
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