Vacina da dengue do Butantan: imunizados há mais de 21 dias estão protegidos, afirma diretor após suspensão
Para os que receberam a vacina em um intervalo menor de tempo, a orientação é comunicar às autoridades de saúde em caso de qualquer sintoma ou efeito adverso.

A suspensão temporária da vacina da dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan não deve preocupar as pessoas que já completaram mais de 21 dias desde a imunização. A afirmação partiu do diretor do instituto, o infectologista Esper Kallás, durante entrevista nesta terça-feira (9/6).
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Segundo Kallás, quem recebeu a vacina da dengue do Butantan há mais de três semanas pode confiar na proteção oferecida pelo imunizante. Além disso, os estudos clínicos demonstraram uma eficácia de aproximadamente 65% na prevenção da dengue por até cinco anos após a aplicação. Da mesma forma, os resultados apontaram cerca de 80% de proteção contra formas graves da doença.
“Quem já tomou a vacina pode ficar absolutamente descansado”, afirmou o diretor. Assim, ele reforçou que a proteção observada nos estudos começa a se consolidar após os primeiros 21 dias da aplicação.
O que motivou a suspensão da vacina?
O Ministério da Saúde anunciou a suspensão temporária da vacinação na última segunda-feira (8). A medida ocorreu após a identificação de 42 casos de eventos adversos graves registrados pelo sistema de farmacovigilância. Entre esses casos, duas mortes seguem sob investigação.
Até o dia 30 de maio, profissionais de saúde e outros grupos receberam cerca de 500 mil doses da vacina. Desse total, aproximadamente 417 mil aplicações ocorreram entre trabalhadores da área da saúde.
Segundo o governo federal, a suspensão tem caráter preventivo. Dessa forma, a Anvisa, o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan ganharão mais tempo para aprofundar as investigações e analisar possíveis fatores de risco associados aos eventos registrados.
Porém, as autoridades destacam que a decisão não invalida os dados de eficácia e segurança obtidos durante os estudos clínicos.
Dados sobre os eventos adversos
Os números apresentados pelo Ministério da Saúde mostram que 3.703 pessoas notificaram algum evento adverso após a vacinação. Esse volume representa 0,7% do total de vacinados.
Além disso, apenas 42 casos apresentaram sinais de alarme e exigiram investigação mais aprofundada. Em outras palavras, os eventos graves corresponderam a apenas 0,008% dos imunizados.
Entre os sintomas relatados estavam dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos e manifestações compatíveis com dengue grave. Entretanto, os especialistas ainda investigam se existe relação direta entre esses casos e a vacina.
Quem deve ficar atento?
As autoridades orientam que as pessoas vacinadas há menos de 21 dias acompanhem o próprio estado de saúde. Além disso, elas devem procurar atendimento médico caso apresentem sintomas considerados preocupantes.
Os principais sinais de alerta incluem:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência excessiva;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
Caso algum desses sintomas apareça, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde. Além disso, o paciente deve comunicar o caso às autoridades sanitárias locais para contribuir com o monitoramento dos eventos adversos.
O que é farmacovigilância?
A farmacovigilância monitora continuamente a segurança de vacinas e medicamentos após sua aprovação para uso na população. Dessa maneira, especialistas conseguem identificar efeitos raros que muitas vezes não aparecem durante os estudos clínicos.
Além disso, esse sistema fornece informações importantes para orientar decisões das autoridades sanitárias. Por isso, especialistas consideram a farmacovigilância uma etapa essencial para garantir a segurança da população.
Butantan seguirá com os estudos
Mesmo diante da suspensão temporária, o Instituto Butantan mantém confiança nos resultados obtidos durante o desenvolvimento da vacina.
Em nota oficial, a instituição informou que continuará colaborando com a Anvisa e o Ministério da Saúde. Além disso, a equipe técnica seguirá realizando novos estudos e acompanhando os vacinados para esclarecer os casos investigados.
Kallás destacou que os especialistas precisam concluir as análises epidemiológicas com rapidez e rigor científico. No entanto, ele não apresentou uma previsão para o encerramento das investigações.
Ainda assim, o diretor reforçou que as vacinas continuam sendo uma das ferramentas mais importantes para prevenir doenças e aumentar a expectativa de vida da população.
Vacina continua considerada eficaz
O Ministério da Saúde e o Programa Nacional de Imunizações (PNI) reforçam que a suspensão temporária não altera os resultados já comprovados pela vacina da dengue do Butantan.
Segundo as autoridades, os dados de eficácia e segurança permanecem válidos. Portanto, quem completou mais de 21 dias após a vacinação pode manter a confiança na proteção demonstrada pelos estudos.
Além disso, a vacina representa um marco para a saúde pública brasileira. Afinal, o Instituto Butantan desenvolveu o primeiro imunizante contra a dengue totalmente brasileiro e em dose única.
Enquanto as investigações avançam, estados e municípios mantêm a suspensão temporária das aplicações. Ao mesmo tempo, as equipes de saúde ampliam o monitoramento dos vacinados e intensificam a busca por possíveis eventos adversos em todo o país.
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