Cardiomiopatia hipertrófica: entenda doença que levou à morte do fisiculturista Gabriel Ganley aos 22 anos

O fisiculturista e influenciador digital Gabriel Ganley, de 22 anos, teve a causa da morte confirmada nesta segunda-feira (25/5). Segundo o laudo do Instituto Médico Legal (IML), o jovem morreu em decorrência de uma cardiomiopatia hipertrófica, doença genética que compromete o funcionamento do coração e pode provocar morte súbita, especialmente em atletas.
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A condição é considerada relativamente comum dentro da cardiologia e afeta cerca de uma em cada 500 pessoas no mundo. Em aproximadamente 70% dos casos, a doença possui origem hereditária, enquanto os demais diagnósticos podem estar relacionados a mutações genéticas espontâneas.
A cardiomiopatia hipertrófica provoca o espessamento do miocárdio, músculo responsável pelas contrações do coração. Com isso, as paredes cardíacas ficam mais rígidas, dificultando o bombeamento adequado do sangue para o organismo.
De acordo com especialistas, o problema pode permanecer silencioso por anos, mas tende a apresentar maior risco durante atividades físicas intensas. Isso acontece porque o coração passa a trabalhar de forma excessiva, aumentando as chances de arritmias graves e parada cardíaca.
O cardiologista Fábio Fernandes, diretor do grupo de Miocardiopatias do Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP, explicou que o coração de pacientes com a doença funciona sob esforço contínuo.
“”Em um coração normal, nós temos dez remadores; desses, só 3 acabam fazendo o esforço. Já num paciente com cardiopatia hipertrófica, dos 10 remadores, 9 estão remando. Então, a caracterização que o músculo acaba ficando é com essa hipertrofia, que causa uma hipercontração e um hiperrelaxamento”, afirmou o especialista.
A doença é apontada por especialistas como uma das principais causas de morte súbita em atletas jovens. Durante exercícios físicos intensos, o coração pode não conseguir relaxar adequadamente entre os batimentos, reduzindo o enchimento das câmaras cardíacas e comprometendo a circulação sanguínea.
Sintomas da cardiomiopatia hipertrófica
Entre os principais sintomas da cardiomiopatia hipertrófica estão:
- desmaios repentinos;
- dor no peito;
- falta de ar;
- palpitações e batimentos irregulares.
Os episódios de desmaio costumam ocorrer de maneira inesperada e podem evoluir rapidamente para complicações graves.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico geralmente é realizado por meio de exames cardiológicos, especialmente o ecocardiograma, que permite identificar o espessamento anormal das paredes do coração. Em alguns casos, a doença pode ser controlada com medicamentos, como betabloqueadores e bloqueadores do canal de cálcio.
Pacientes com quadros mais severos podem precisar de tratamentos mais invasivos, incluindo implante de cardiodesfibrilador ou procedimentos cirúrgicos para melhorar o fluxo sanguíneo.
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