‘Pare de orar por ele e ore por você’: pastora viraliza ao denunciar violência doméstica em igrejas

Um discurso da pastora Helena Raquel durante um dos maiores congressos evangélicos do Brasil ganhou grande repercussão nas redes sociais ao abordar temas como violência doméstica, abuso sexual e pedofilia dentro da igreja.

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A fala ocorreu durante o 41º Congresso Internacional de Missões dos Gideões Missionários da Última Hora, no sábado (2/5), realizado em Camboriú (SC), e rapidamente ultrapassou milhões de visualizações em plataformas digitais. Um dos trechos publicados no Instagram alcançou cerca de 11 milhões de visualizações.

Durante a pregação, a líder religiosa criticou o silêncio institucional e a omissão diante de crimes cometidos por líderes e membros de igrejas.

“Pedófilo não é ungido. Pedófilo é criminoso. Não existe capacidade de se encontrar na mesma figura um pastor e um abusador. Ou é pastor, ou é abusador”, afirmou.

Orientação para vítimas de violência

Um dos momentos mais compartilhados do discurso foi direcionado a mulheres que vivem em relacionamentos abusivos. A pastora orientou que vítimas priorizem a própria segurança e busquem ajuda.

“Pare de orar por ele hoje e comece a orar por você. Você precisa ter coragem para sair, denunciar e buscar um lugar seguro. E não acredite em pedidos de desculpa, porque quem agride mata”, declarou.

A fala gerou ampla repercussão por incentivar a denúncia formal, em vez de apenas abordagens religiosas diante da violência doméstica.

Crítica ao “corporativismo religioso”

Ao longo da ministração, Helena Raquel também criticou o que chamou de “corporativismo religioso”, defendendo que a fé deve estar alinhada à responsabilidade social e ética.

Ela ainda mencionou casos de pedofilia envolvendo instituições religiosas, ampliando o debate para além do meio evangélico.

Quem é Helena Raquel

Com mais de 30 anos de ministério, Helena Raquel é líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADPIV), no Rio de Janeiro. Ela também é mentora, professora e autora de 13 livros.

A religiosa possui mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram e cerca de 580 mil inscritos no YouTube. Entre suas obras estão “Libertando a Alma”, “Crescendo com as Mulheres da Bíblia” e “Eleitas: a legitimidade e o valor do ministério feminino”.

Além disso, é idealizadora do projeto Pastoras do Brasil, voltado ao fortalecimento da liderança feminina nas igrejas.

Repercussão nas redes sociais

Nas redes sociais, o discurso foi amplamente compartilhado por influenciadores e figuras públicas, gerando debate sobre a necessidade de enfrentar casos de violência dentro de ambientes religiosos.

Comentários em vídeos da pregação incluem relatos de mulheres que afirmam ter vivido situações de abuso e falta de acolhimento em igrejas.

Apesar de algumas críticas, a pastora afirmou que a maioria das reações foi positiva. “A violência contra mulheres e crianças não é uma questão partidária ou religiosa apenas, é uma questão humanitária e urgente”, disse.

O evento onde ocorreu a pregação é considerado um dos maiores encontros missionários do país, reunindo milhares de fiéis presencialmente e milhões de espectadores online.

Durante o sermão, Helena Raquel utilizou o relato bíblico de Juízes 19 para traçar paralelos com a realidade atual e reforçar a responsabilidade coletiva diante da violência.

Ao final, a pastora deixou um recado direto para vítimas de abuso em ambientes religiosos: “Independentemente da religião, ninguém deve se calar diante da violência. Denuncie, busque um ambiente seguro. E não se sinta rejeitado por Deus — muito pelo contrário, mantenha-se nos braços dele.”

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