“Palavras também ferem”: Prefeita Tânia Yoshida cobra respeito e repudia violência de gênero
Prefeita de Conceição do Jacuípe defendeu os direitos das mulheres e destacou que a violência vai além da agressão física

Em um posicionamento firme contra o machismo e a desvalorização feminina, a prefeita de Conceição do Jacuípe, Tânia Yoshida (PSD), utilizou sua live semanal na noite de quinta-feira (9/4) para promover uma reflexão profunda sobre a violência de gênero. Em um discurso contundente, a gestora destacou que as agressões contra a mulher vão muito além do aspecto físico, alertando para a necessidade urgente de resgatar o respeito e a autonomia feminina na sociedade.
Luan Santana é a primeira atração confirmada do Arraiá do Berimbau 2026
Muito além da agressão física
Durante a transmissão, Tânia Yoshida chamou a atenção para as marcas invisíveis deixadas pela violência psicológica e moral, muitas vezes naturalizadas dentro das relações afetivas. A prefeita atrelou o cenário de hostilidade atual à “falta de amor” e à estrutura familiar.
“E essas pessoas imaginam que a violência contra a mulher é só a questão física. Não é só a questão física, é a questão também que muitas vezes você fala uma palavra que dói mais e que marca para o resto da vida. A maneira como você trata a sua companheira, a pessoa que está do seu lado”, declarou a prefeita.
Ela também reforçou o direito inalienável das mulheres à liberdade e à tomada de decisões sobre seus próprios corpos e destinos: “As mulheres têm os mesmos direitos e ela pode estar aonde e chegar aonde ela realmente imaginar e quiser. […] Ela tem o direito de dizer não, ela tem o direito de dizer sim”.
Um dos momentos mais incisivos da fala da prefeita abordou a forma como as mulheres são, por vezes, tratadas como objetos descartáveis. Tânia Yoshida criticou duramente a cultura do “ficante” — relacionamentos casuais sem compromisso ou respeito mútuo —, afirmando que a mulher deve se impor e não aceitar menos do que merece.
Para a gestora, a aceitação de migalhas afetivas e do desrespeito é um sinal de alerta para a saúde mental.
“A mulher não é mercadoria”: A prefeita enfatizou que as mulheres, por sua beleza ou corpo, são frequentemente usadas e descartadas, o que é inaceitável.
Busca por ajuda: Em tom de conselho enérgico, ela sugeriu que mulheres que se submetem a relacionamentos onde não são valorizadas procurem ajuda profissional. “Ela tem que procurar um psiquiatra, um psicólogo, fazer terapia, fazer um tratamento. […] A mulher valente, a mulher guerreira, a mulher batalhadora, jamais vai se submeter a ser ficante de alguém” , pontuou.
O cenário alarmante da violência de gênero no Brasil
O desabafo da prefeita de Conceição do Jacuípe ecoa uma realidade trágica e estatisticamente comprovada em todo o território nacional. A “falta de amor” e de respeito citadas por Yoshida refletem-se nos assustadores índices de violência contra a mulher no Brasil.
De acordo com os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), compilados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o país vive uma verdadeira epidemia de violência de gênero. Apenas no ano de 2024, o Brasil registrou os piores índices de sua história recente:
Feminicídios: Foram registrados 1.492 assassinatos de mulheres motivados única e exclusivamente por questões de gênero, o maior número desde a tipificação da lei em 2015.
Tentativas de feminicídio: Ocorreram quase 3.900 tentativas, um aumento de 19% em relação ao ano anterior.
Violência sexual: O país registrou mais de 87.500 casos de estupro (incluindo estupro de vulnerável), o que equivale a assustadora marca de uma mulher estuprada a cada 6 minutos.
Violência invisível: Validando a fala da prefeita sobre as agressões que não deixam marcas físicas, os crimes de violência psicológica cresceram 6,3%, e os de stalking (perseguição) saltaram mais de 18% em 2024.
O discurso de Tânia Yoshida, portanto, transcende a política local e toca em uma ferida aberta da sociedade brasileira. Ao incentivar as mulheres a exigirem respeito e a buscarem ajuda terapêutica para fortalecerem a autoestima, a gestora levanta um debate essencial sobre a prevenção primária da violência: o reconhecimento do próprio valor antes que a agressão invisível se transforme em uma estatística letal.
Ver essa foto no Instagram
FALA GENEFAX quer ouvir você!
Viu algo importante acontecendo no seu bairro?
Mande fotos e vídeos para o nosso WhatsApp (75) 99190-1606
Sua colaboração pode virar destaque!