Acusados por morte de Mãe Bernadete vão a júri nesta segunda-feira (13)
Mãe Bernadete Pacífico, foi assassinada na noite de 17 de agosto de 2023.

Nos últimos cinco anos, o Brasil registrou uma escalada de violência contra lideranças quilombolas, representantes de comunidades formadas por descendentes de pessoas escravizadas. Nesse período, ao menos 46 dessas lideranças foram assassinadas no país. A Bahia aparece como o segundo estado com maior número de casos, somando 10 mortes, entre elas a de Mãe Bernadete Pacífico, de 72 anos. O caso dela será levado a júri popular nesta segunda-feira (13/4).
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De acordo com levantamento da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, que analisou o período entre 2019 e 2024, o Maranhão lidera o ranking, com 22 assassinatos. O relatório também aponta que cerca de 9.800 quilombolas vivem atualmente sob ameaça de morte no Brasil.
Moradora de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, Mãe Bernadete era uma das principais lideranças do Quilombo Pitanga dos Palmares. Ela foi assassinada na noite de 17 de agosto de 2023, quando homens armados invadiram a comunidade, fizeram familiares reféns e a executaram dentro da própria casa. Anos antes, o filho dela, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, também havia sido morto.
O julgamento acontece no Fórum Ruy Barbosa, no Campo da Pólvora, em Salvador, e envolve dois dos cinco denunciados pelo Ministério Público da Bahia por homicídio qualificado: Marílio dos Santos, apontado como mandante, e Arielson da Conceição Santos, acusado de participação direta na execução.
Arielson está preso preventivamente, enquanto Marílio permanece foragido. Pela legislação brasileira, o julgamento pode ocorrer mesmo na ausência do réu, desde que ele tenha sido formalmente intimado e esteja representado por defesa.
Segundo o advogado da família, Hédio Silva, há provas consistentes sobre o envolvimento dos acusados. “O principal executor é réu confesso, e há evidências de que um dos mandantes forneceu as armas. Vamos demonstrar aos jurados a solidez do conjunto probatório”, afirmou.
Outros três denunciados, Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, ainda serão julgados em data posterior.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o assassinato não foi um caso isolado, mas estaria ligado a conflitos com o grupo criminoso Bonde do Maluco, que atua na região. Reconhecida por sua atuação na defesa da comunidade, Mãe Bernadete se posicionava contra o tráfico de drogas, o que pode ter motivado o crime.
A investigação aponta que a ação foi planejada e executada de forma organizada, com divisão de funções entre os envolvidos. Mandantes teriam autorizado a execução, enquanto outros participantes atuaram como intermediários e executores.
Ainda segundo a acusação, após o crime, os autores roubaram pertences das testemunhas, incluindo aparelhos celulares, numa tentativa de dificultar as investigações.
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