PM aposentado será levado a júri por tentativa de duplo homicídio em Amélia Rodrigues

Uma das vítimas ficou gravemente ferida e usou bolsa de colostomia por mais de dois anos.

O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) apresentou suas alegações finais requerendo que um policial militar reformado seja julgado pelo Tribunal do Júri. O homem é acusado de tentativa de duplo homicídio qualificado, ocorrida no dia 1º de janeiro de 2021 , no município de Amélia Rodrigues. A ocorrência foi registrada na Rua José Bispo, no bairro Campo Alegre.

Segundo os autos do processo, a violência foi motivada por uma desavença banal. O réu e seus familiares teriam se incomodado com o barulho gerado pela motocicleta das vítimas, que havia passado algumas vezes em frente à sua residência, o que gerou uma breve discussão anterior ao ataque.

Emboscada e disparos pelas costas

As evidências colhidas durante a instrução processual apontam que o crime ocorreu mediante surpresa. O Ministério Público narra que o PM aposentado aguardou a passagem da motocicleta escondido atrás de uma caminhonete.

De acordo com depoimentos, ao ser alertado por uma mulher de que as vítimas se aproximavam, o réu ocultou a pistola atrás do corpo e esperou que os jovens passassem. Em seguida, ele iniciou uma série de disparos contra as costas das vítimas.

Um dos jovens, que estava na garupa da moto, foi atingido nas costas por um tiro de calibre .40 e caiu do veículo. O laudo pericial evidenciou a extrema gravidade das lesões, que comprometeram órgãos vitais, como o intestino e um rim. A vítima só sobreviveu graças a uma intervenção cirúrgica de urgência. Devido aos danos, o jovem precisou usar uma bolsa de colostomia por dois anos e sete meses. O condutor da motocicleta conseguiu fugir e não foi atingido.

Versão da defesa é rechaçada

No decorrer do processo, o policial militar reformado negou ser o autor dos disparos, alegando que indivíduos em outro veículo teriam atirado contra os jovens. A defesa também tentou emplacar a tese de que uma das vítimas estaria armada.

O Ministério Público, no entanto, rechaçou essas versões, classificando-as como fantasiosas. A promotoria ressaltou que nenhuma arma foi localizada com as vítimas e destacou que o laudo pericial atestando que o tiro atingiu as costas do jovem derruba qualquer hipótese de legítima defesa ou troca de tiros. Além disso, vizinhos testemunharam ter visto o réu com a arma na mão no meio da rua logo após os disparos.

Diante do conjunto de provas materiais e testemunhais, o MP-BA pede que o réu seja pronunciado e responda perante o júri popular por duas tentativas de homicídio, com as qualificadoras de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas. O caso agora aguarda a decisão do Juízo da Vara Criminal da Comarca de Amélia Rodrigues.

Para preservar a integridade das partes envolvidas, a identidade dos investigados e das vítimas não foi divulgada.

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