3 documentos essenciais para identificar cobranças abusivas e reduzir dívidas

Com 81 milhões de inadimplentes no país, especialistas explicam como analisar relatórios financeiros para contestar juros irregulares

O Brasil atingiu a marca de 81 milhões de pessoas com contas em atraso, puxadas principalmente pelo cartão de crédito e despesas básicas, segundo dados da Serasa. No entanto, o que parece ser uma dívida interminável pode, muitas vezes, esconder irregularidades. Não por acaso, os bancos lideraram a lista de réus em ações de consumidores no ano de 2025.

Para tentar frear essa bola de neve, advogados e especialistas em defesa do consumidor apontam que a revisão minuciosa dos contratos é o primeiro passo para encontrar abusos e conseguir descontos que podem chegar a 90% na renegociação.

Os 3 documentos aliados do devedor

Para auditar a própria dívida, o consumidor tem o direito de acessar três registros fundamentais:

  • Extrato analítico completo do contrato: Detalha todas as condições acordadas (empréstimos, financiamentos, cartões), incluindo taxas e prazos.

  • Descritivo de Evolução da Dívida (DED): Mostra como o saldo devedor e os encargos se comportaram ao longo do tempo.

  • Relatório de Informações Bancárias: Fornece uma visão consolidada do endividamento geral do cliente com o mercado.

Como solicitar: Os dois primeiros devem ser pedidos diretamente nos canais de atendimento do banco (aplicativo, SAC ou ouvidoria), com prazo de entrega de até sete dias. Já o Relatório de Informações Bancárias é emitido instantaneamente pelo site do Banco Central, através do sistema Registrato.

O que procurar nos relatórios?

Com os documentos em mãos, o consumidor deve cruzar as informações do que foi contratado com o que está sendo efetivamente cobrado. Os abusos mais comuns cometidos pelas instituições financeiras incluem:

  • Aplicação de juros acima da taxa fixada em contrato ou da média de mercado (que pode ser consultada no site do Banco Central).

  • Cobrança de tarifas não contratadas ou encargos genéricos sem explicação clara.

  • “Venda casada” de seguros e serviços embutidos sem o consentimento do cliente.

  • Multas e juros abusivos.

Como agir em caso de irregularidades

Identificando problemas—ou simplesmente constatando que a parcela não cabe mais no orçamento—o consumidor tem algumas saídas. A portabilidade de crédito para outra instituição que ofereça juros menores é uma excelente alternativa, desde que o valor e o prazo sejam inferiores aos do crédito original.

Caso opte por contestar os valores, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) orienta o seguinte passo a passo:

  1. Contato direto: Reporte o problema nos canais de atendimento ou na Ouvidoria do próprio banco.

  2. Reclamação oficial: Sem solução, registre o caso na plataforma Consumidor.gov.br e faça uma reclamação no Banco Central.

  3. Via judicial: Se as alternativas amigáveis se esgotarem, o caminho é buscar a Justiça para revisar as cláusulas abusivas e reaver os valores cobrados indevidamente.

 

 

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