Edson Gomes chama Bolsa Família de “escravidão” e defende liberdade de voto

Durante apresentação no município de Muritiba, cantor de reggae relatou experiências do passado

O cantor e compositor baiano Edson Gomes tornou-se o centro de um intenso debate após fazer declarações contundentes e polêmicas durante uma apresentação em São José do Itaporã, distrito do município de Muritiba, no Recôncavo Baiano. Em registros em vídeo divulgados pela página Blog do Valente, o artista utilizou o intervalo entre as músicas para tecer duras críticas ao programa Bolsa Família e defender a total autonomia do eleitor.

Críticas ao Bolsa Família e à dependência política

Durante o seu discurso, Edson Gomes associou o recebimento do benefício assistencial a uma relação de submissão, utilizando o termo “escravidão” para descrever a dependência econômica gerada. O cantor também denunciou o que considera ser o uso da assistência social como ferramenta de pressão e manobra política em períodos de campanha.

“Quem recebe Bolsa-Família é escravo. Agora nas eleições, eles vão chamar vocês pra fazer a revisão, pra você votar neles. Ou vota ou tira o Bolsa-Família. Nós não somos mais escravos, não. Nós não vivemos só de comida. O que porr* é R$ 600?! Vai viver com R$ 600… Vamos trabalhar. Porra* de Bolsa-Família, para viver como escravos. Eles são opressores. Eles nos oprimem”, bradou o artista para o público.

Para dar ênfase ao seu posicionamento, Edson Gomes relembrou sua própria trajetória antes de alcançar a fama na música. O cantor incentivou o público a buscar o mercado de trabalho formal, destacando que a independência real vem do próprio esforço.

  • Trabalho braçal: O artista citou seu passado carregando e descarregando caminhões em uma fábrica de papel localizada na cidade de Cachoeira, também no Recôncavo.

  • A realidade do passado: Mesmo incentivando o regime CLT, ele fez uma reflexão crítica sobre as condições de trabalho de outrora: “Façam como eu. Agora eu estou melhor, mas nem sempre fui assim não […] Eu era escravo, porque recebia um salário escravo também”, declarou.

Na reta final do seu pronunciamento, o rei do reggae brasileiro abordou a polarização política e rechaçou a ideia de que o voto de pessoas negras e de baixa renda deve, obrigatoriamente, pertencer a um único espectro ideológico. Ele defendeu que a independência financeira é o caminho para a liberdade de escolha.

“Quando você trabalha de carteira assinada, você vota em quem você quiser votar. Se você quiser votar na esquerda, vota na esquerda. Nós temos o direito de escolha”, afirmou o cantor.

Gomes concluiu a fala encorajando a autonomia individual e quebrando estigmas sociais enraizados no cenário político: “Eles dizem: ‘preto e pobre não vota na direita’. Vota sim. Eles não podem dizer em quem nós temos o direito de votar. Se quer voltar na esquerda […] vote. Mas se quiser votar na direita […] vote. O voto é seu, não pertence a eles”, finalizou.

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