Entenda as novas regras das Testemunhas de Jeová sobre transfusão de sangue

As Testemunhas de Jeová atualizaram sua política sobre transfusões de sangue e passaram a permitir que integrantes utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos programados. As informações foram divulgadas pela BBC Brasil.

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De acordo com a nova orientação, fiéis poderão ter o próprio sangue retirado previamente, armazenado e depois “devolvido” ao corpo durante cirurgias ou outros tratamentos médicos. A prática é conhecida na medicina como autotransfusão.

Apesar da mudança, a religião continua proibindo a transfusão de sangue de outras pessoas, mantendo a interpretação bíblica tradicional defendida pelo grupo.

O anúncio foi feito por Gerrit Lösch, integrante do corpo de liderança mundial da religião, que afirmou que cada cristão deve decidir como seu próprio sangue será utilizado em cuidados médicos.

Segundo representantes da organização, a crença sobre a “santidade do sangue” permanece a mesma. A orientação religiosa se baseia em passagens bíblicas interpretadas como uma ordem para que os fiéis se abstenham de sangue.

As Testemunhas de Jeová formam um movimento religioso cristão conhecido pela prática de evangelização de porta em porta. A organização afirma ter cerca de 9 milhões de seguidores no mundo, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil.

A mudança, no entanto, foi criticada por alguns ex-integrantes da religião. O americano Mitch Melon afirmou que a atualização não vai longe o suficiente, já que fiéis continuam impedidos de receber sangue doado mesmo em situações de emergência médica.

Em dezembro do ano passado, um tribunal de Edimburgo, na Escócia, decidiu que os médicos poderiam realizar uma transfusão de sangue em uma Testemunha de Jeová adolescente, caso ela precisasse após uma cirurgia.

A menina de 14 anos disse aos médicos que não consentia com a transfusão devido às suas crenças religiosas, mas os advogados de um conselho de saúde escocês solicitaram uma ordem judicial para permitir que o procedimento fosse realizado caso a vida da menina estivesse em risco.

A ordem foi concedida, pois a juíza Lady Tait afirmou estar convencida de que a transfusão era para benefício da criança, “dando o devido peso às suas opiniões”.

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