Angelo Coronel detalha rompimento com o PT e expõe mágoa com Jaques Wagner

Ele também comentou o distanciamento de Otto Alencar e afastou rumores sobre o comando de sua nova legenda.

O senador Angelo Coronel (Republicanos) abriu o jogo sobre os bastidores de seu rompimento com o grupo político liderado pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT) na Bahia. Em entrevista concedida nesta sexta-feira (20) ao programa TV Aqui só Política, apresentado pela jornalista Cíntia Kelly, o parlamentar detalhou o estopim para a sua saída da base aliada: um convite do senador Jaques Wagner (PT) para que ele assumisse a condição de suplente na chapa majoritária.

Classificando a oferta como “uma proposta descabida”, Coronel não escondeu o ressentimento com a articulação petista. Segundo ele, a intenção de formar uma chapa exclusivamente governista foi o sinal claro de que não havia mais espaço para ele no grupo.

“Uma proposta descabida que ele nos fez. Eu achei ali, não vou dizer falta de respeito, mas fiquei até magoado com essa ideia. A partir do momento que ele falou de chapa puro-sangue, ele já estava me descartando”, desabafou o senador durante a entrevista.

Apesar da mágoa, Coronel afirmou que sua saída foi calculada e tratou-se de um movimento estratégico. “Espero o momento certo [para tomar a decisão]. Eu não entrei nessa pilha”, ressaltou, indicando que evitou reações intempestivas.

Relação abalada com Otto Alencar

A ruptura com o governo estadual também deixou marcas na relação pessoal e política com o senador Otto Alencar, presidente estadual do PSD e seu amigo e compadre há quase 40 anos.

Questionado sobre a postura do antigo aliado — que não teria “comprado a briga” para mantê-lo na chapa majoritária —, o novo republicano preferiu adotar um tom diplomático, esquivando-se de polêmicas diretas. “Prefiro guardar as lembranças boas do que as lembranças negativas”, resumiu Coronel.

Nova casa: os bastidores da ida para o Republicanos

Com a filiação ao Republicanos confirmada nesta semana, Angelo Coronel explicou que o movimento teve o aval e a articulação direta de nomes de peso da política nacional, como o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). A aproximação começou após um convite feito a Diego Coronel, deputado federal e filho do senador.

“Ele convidou Diego para entrar no Republicanos, que é o partido dele, e consequentemente também fui conversar com ele”, explicou o senador sobre a costura política.

Coronel também aproveitou para rechaçar os rumores de que sua filiação estaria condicionada a assumir a presidência estadual da legenda, historicamente ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD). Ele classificou os boatos como infundados.

“Eu não posso chegar aqui e dizer: só entro se me der a presidência. Seria até uma infantilidade pensar dessa maneira. Quem é que não quer ser presidente do partido que você está filiado? Todos querem, isso é natural. Entramos para somar, não para destituir ninguém”, concluiu o parlamentar.

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