Grafite retratando Papa e o diabo provoca debate sobre religião e liberdade artística

O grafite do estudante João Vasconcelos, pintado na ‘varandinha’ da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), ultrapassou os limites de um simples exercício de retrato e se transformou em um polêmico debate social. A imagem, que coloca o Papa Francisco lado a lado com uma representação do diabo, gerou reações diversas: enquanto alguns admiraram a obra pela provocação artística, outros se sentiram ofendidos e acusaram o autor de servir “banquete ao inimigo”.
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O artista defende que a crítica não é direcionada à figura do Papa, mas ao que ele simboliza em relação ao avanço do fundamentalismo religioso. “Dentre as referências que pesquisei para fazer retratos, foi a que mais me chamou atenção pela diversidade de sensações que pode causar. Outras opções foram Jesus e Buda jogando cartas, Bolsonaro e Lula se beijando. É mais sobre o que ele representa, nada pessoal contra o Papa Francisco, até outro dia estava chamando ele de Bento”, explicou João.
Escolhida estrategicamente por ser um espaço de fácil acesso e ponto de encontro de amigos, a ‘varandinha’ da Facom serviu como palco ideal para a obra. Mais do que uma questão de “gostar ou detestar”, o grafite provocou discussões sobre os limites da arte, o papel da religião e a liberdade de expressão no Brasil contemporâneo.

Para João Vasconcelos, a repercussão foi positiva. “Sinto que nada pior para um artista do que olharem para sua obra e não vir um pensamento ou uma sensação. Então, se causa alguma reação, considero missão cumprida”, afirmou o estudante, celebrando o impacto de sua criação.
Ao defender o propósito de sua obra, o grafiteiro destacou que a intenção era levar o público à reflexão sobre o avanço do fundamentalismo religioso e seus efeitos na sociedade. “Os fundamentalistas religiosos avançam sem precedentes, estão consolidados no Congresso, trazendo pautas reacionárias, na contramão da ciência, acumulando poder. Do jeito que estamos, podemos nos questionar a respeito da existência de um estado laico no futuro. O propósito da obra é questionar, trazer reflexões, chocar, mas também entreter e encantar”.
