Um adolescente de 15 anos foi espancado, com murros e chutes, por sete colegas em um ônibus escolar em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, na última sexta-feira (25/2). Segundo um texto publicado nas redes sociais do jovem, o ataque foi motivado por homofobia.
“Estou com muito medo. Foi a escola que mais me adaptei e fiz amigos”, desabafou o garoto.
Por causa das agressões, o menino precisou ser levado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Camaçari, onde recebeu atendimento.
A mãe do jovem, Mara dos Santos, de 50 anos, disse que descobriu o ocorrido através da mãe de uma das colegas do adolescente, que também foi atingida pelas agressões ao tentar se proteger.
“A mãe de uma das meninas ‘guardou’ ele dentro da casa dela e mandou buscar, porque queriam matar ele”, contou.
Segundo Mara, o garoto ficou com hematomas na nuca, pescoço, pernas e braços. Ela também relatou que o menino também está com o psicológico abalado.
“Ele foi pra UPA, tomou medicamentos. Teve hematomas na nuca e no braço, mas bateram mais na parte da nuca, na cabeça e nos ombros”, explicou.
Ainda segundo a mãe do jovem, as agressões foram desencadeadas por causa de um vídeo publicado pelo filho nas redes sociais, em que imita um meme com uma amiga.
“Ele está com o psicológico abalado, com medo, todo mundo ficaria. O pessoal está ameaçando ele de morte no Instagram, mandando fotos”, desabafou.
Assim como o adolescente, Mara também está abalada com o acontecido. De acordo com ela, não foi a primeira vez que o garoto sofreu com preconceito.
“Não é de agora que fazem bullying com ele. Chamam de ‘viado’ já tem muito tempo. Desde o Colégio Municipal. Eles estudaram juntos, mas alguns ficaram nas escolas estaduais e outros na municipal”, afirmou.
Estudante do 1º ano do Colégio Estadual José de Freitas Mascarenhas, o menino agora tenta se recuperar do acontecido. Ainda conforme a mãe, o filho recebeu apoio psicológico de um advogado, concedido tanto pela escola quanto pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia.
Secretaria de Justiça repudia o caso
Em nota, a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) lamentou a agressão sofrida pelo adolescente.
“Nas imagens, o adolescente é agredido por outros sete colegas dentro do veículo. O jovem ficou ferido e precisou ser levado a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município. A SJDHDS está acompanhando o caso junto à Secretaria de Educação (SEC) e à diretoria do Colégio Estadual José de Freitas, onde o jovem estuda”, declarou o secretário Carlos Martins.
Ainda segundo o comunicado, por meio do Centro de Promoção e Defesa dos Direitos LGBT da Bahia (CPD-LGBT), a “SJDHDS colocou a equipe jurídica e psicossocial à disposição do estudante e sua família para acompanhar e orientar em relação ao caso e às providências cabíveis neste momento”.
Já a mãe do garoto tenta registrar um boletim de ocorrência e busca uma solução diante do medo com a segurança do filho.
“Como que eu vou mandar meu filho para o colégio? Mesmo que eu mande de outra condução, quem vai proteger ele na escola?”, questionou. “Ele foi espancado dentro de um patrimônio público, então alguém tem que arcar com isso”.
A SEC informou, em nota, que a gestão escolar já identificou um aluno do colégio envolvido no caso. A família e o conselho tutelar foram acionados.
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