Orçamento de 2022 é enviado sem reajuste do Bolsa Família

Ainda sem solução para a explosão de gastos com precatórios em 2022, o governo apresentou nesta terça-feira (31/8) o Orçamento do ano que vem com gastos comprimidos e sem atender às demandas do presidente Jair Bolsonaro para o período eleitoral. O texto não prevê a versão turbinada do Bolsa Família e não reforça verbas para obras. A proposta traz premissas já descoladas da realidade, com parâmetros econômicos defasados. O Ministério da Economia Paulo Guedes  finalizou os cálculos com base em indicadores estimados em julho. No entanto, diante das oscilações do mercado nas últimas semanas, os dados tiveram mudanças significativas, o que distorce as contas.
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Para 2022, o governo estabeleceu para a meta fiscal um rombo de R$ 49,6 bilhões. O valor, menor do que os R$ 170,5 bilhões previstos em abril, é fruto de uma estimativa de aumento de arrecadação tributária do governo. Ao contrário do que Guedes vinha dizendo, o governo não será paralisado pela apresentação do Orçamento com o valor total de R$ 89,1 bilhões para o pagamento de precatórios – dívidas do Executivo reconhecidas pela Justiça e sem possibilidade de recurso.
O ministro havia afirmado que se o Congresso não aprovasse a medida que parcela débitos judiciais do governo, faltaria dinheiro para o pagamento de salários no serviço público. No entanto, o texto não aponta para um shutdown -quando serviços públicos são interrompidos por falta de recursos. Na proposta, ficaram intocados os gastos obrigatórios, que incluem salários de servidores e pagamento de aposentadorias.
O aperto nos gastos se deu nas chamadas despesas discricionárias. A conta de investimentos públicos, por exemplo, foi reduzida. Segundo o Ministério da Economia, essa despesa ficará em R$ 23,8 bilhões em 2022. Na proposta para o Orçamento de 2021, o patamar havia sido de R$ 28,7 bilhões. Para o programa Bolsa Família, foi previsto o valor de R$ 34,7 bilhões, patamar similar ao deste ano e que não contempla reforço nas ações sociais.
A proposta em discussão prevê que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) faça uma mediação do tema e defina por resolução um teto de R$ 39,9 bilhões para o pagamento de precatórios em 2022 -menos da metade dos R$ 89 bilhões previstos originalmente. O restante dos débitos seria pago nos próximos anos.
Pelos planos da equipe econômica, após eventual solução para os gastos com precatórios, será enviada ao Congresso uma mensagem modificativa ao Congresso. Nela, o governo deve revisar os parâmetros econômicos para o ano e aproveitar a margem aberta no Orçamento para incluir as previsões de gastos com o Bolsa Família turbinado e obras públicas.

 

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