QUANTO VALE UMA VIDA? Idoso é morto por um carro, um trator e R$ 1 mil

O fazendeiro Bartolomeu Ribeiro dos Santos, 58 anos, nunca ficou tanto tempo sem dar notícias à família. Morador de Simões Filhos, Região Metropolitana de Salvador (RMS), ele estava desaparecido desde a última sexta-feira (21). Mesmo quando trabalhava em outra cidade, seu Memeu, como era conhecido, ligava para a mulher e para os filhos. Mas desta vez a rotina não se cumpriu. E foram cinco dias de angústia que chegaram ao fim nessa quarta-feira (26), de forma trágica. O corpo de Bartolomeu foi encontrado enterrado na cidade vizinha de Candeias. O “preço” da vida dele? Um carro, um trator e R$ 1 mil.
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De acordo com a Polícia Civil, R$ 1 mil foi o valor que o suspeito recebeu para matar e enterrar Bartolomeu. O próprio trator da vítima foi usado para abrir a cova. O titular da 20ª Delegacia, Vítor Eça Andrade, responsável pela investigação do caso, explicou que outro criminoso participou da ação e roubou o trator da vítima. “Seguimos com as buscas para localizá-lo”, disse.
O crime contou com a participação de pelo menos duas pessoas. Os criminosos espancaram Bartolomeu até a morte para levar um Palio Fiat ano 2017 e o trator, avaliado em R$ 80 mil. Com a prisão de um dos envolvidos no crime, a polícia localizou o corpo da vítima, numa cova rasa em uma fazenda, no povoado de Massauim, zona rural de Candeias. O corpo de Memeu foi sepultado às 14h30 de ontem, na cidade de Maragojipe, onde a vítima tem parentes.
Agora, a polícia está atrás do segundo envolvido no latrocínio (roubo seguido de morte) – um funcionário da vítima, um tratorista de 21 anos que não teve a identidade divulgada e é apontado na investigação como o mandante do crime.
Seu Bartolomeu saiu de casa logo nas primeiras horas da sexta (21), no Palio, rumo a Candeias, com o intuito de tomar o trator do funcionário. Ele desconfiava que o tratorista, que trabalhava para ele há um ano, estava embolsando parte dos pagamentos do serviço feito em uma das fazendas que contrataram os serviços da vítima.
Desaparecimento
“Ele (tratorista) ganha por hora e meu pai descobriu que ele estava recebendo para trabalhar o dia inteiro, quando na verdade começa o serviço pela tarde. Então, meu pai, no dia anterior do sumiço, ligou para ele e disse que ia pegar o trator de volta”, contou um dos filhos da vítima, o motorista Valnei Conceição dos Santos, 33.
A partir deste dia, Bartolomeu nunca mais deu notícia. Desesperados, parentes foram por conta própria procurar por ele. Percorreram hospitais, postos médicos e delegacias. Durante as buscas em Candeias, eles encontraram o funcionário, mas Bartolomeu e o carro dele, não. “Ele disse que meu pai tinha colocado o trator num guincho e levado para Cruz das Almas, mas ninguém viu meu pai sair da região”, contou o filho da vítima.
Familiares de Bartolomeu disseram que o tratorista estava nervoso. No dia do encontro, um suposto primo do funcionário, que nunca tinha sido visto lá, estava na fazenda. Horas depois, os familiares encontraram o trator. “Estava escondido numa outra fazenda”, relatou Valnei. Diante das circunstâncias, a família foi à 20ª Delegacia (Candeias) e registou um boletim de ocorrência.
Nessa segunda-feira (24/5), o tratorista esteve na delegacia de Candeias, acompanhado de um advogado, e foi ouvido e liberado, pois se iniciava a investigação.
As circunstâncias do desparecimento já davam sinais à família de que seu Bartolomeu não estaria mais vivo. “Tudo indicava que tinham matado meu pai. Não tinha esperança de encontrá-lo vivo. Mas queremos saber o que aconteceu de verdade e queremos que os acusados paguem”, declarou Valnei.

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Correio 24 Horas

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