A tradicional festa de São João pode até não acontecer esse ano, mas uma certeza é de que se depender dos moradores da Primeira Travessa São José Azevedo, popularmente conhecida como “Toca do sapo”, em Conceição do Jacuípe, os costumes ligados aos festejos não serão esquecidos.
Falta menos de um mês para o São João, uma das festas mais populares do Nordeste e mais do que um símbolo da cultura popular brasileira. Na Bahia, os festejos juninos refletem diretamente na economia das cidades do interior. Hoje, enquanto muitas cidades estariam se preparando para receber milhares de pessoas em junho, o foco é combater o avanço da Covid-19.
Em outros tempos as ruas de Conceição do Jacuípe começariam a ficar frenéticas nesta época do ano, os preparativos, decoração e montagem do palco já estariam a todo vapor. São inúmeros turistas e baianos de outras regiões do estado que vão até o município para comemorar e prestigiar os eventos no mês de junho.
Mas, no ano passado, o jogo virou. A pandemia pegou todos de surpresa, e por conta deste contexto, os festejos tiveram que ser cancelados. Agora, a população tem tentado se adaptar para manter viva uma tradição tão significativa para a cidade.
Paulo Robson, de 32 anos, explica que mesmo com a pandemia os moradores não esquecem os costumes, passados de geração para geração: “Apesar dessa doença, a gente nunca deixa de lado essa tradição. Todos os anos enfeitamos a nossa rua, ainda falta ajustar algumas coisas, mas a brincadeira a gente nunca esquece”, disse.
O morador afirma que apesar do desafio de viver um período tão delicado as tradições juninas se mantêm vivas, agora com os cuidados redobrados: “É uma coisa para a gente aqui da rua mesmo, para não virar bagunça, todo mundo usando máscara e celebrando o São João do nosso bairro. Não podemos desanimar, temos que ter fé e pedir a Deus para que logo logo essa pandemia tenha fim”.
Mayara Cristine, de 18 anos, relata que com a falta de festas desde o ano passado, por causa do distanciamento social da pandemia, essa foi a forma encontrada para dar continuidade aos costumes.
“Ano passado a pandemia acabou deixando tudo em ‘branco’, então tive a ideia de pedir apoio a alguns amigos e vizinhos para enfeitar a nossa rua. Mesmo com todo mundo em casa, a gente pode criar um clima junino e manter viva as tradições”.
Sem São João, mas com tradição! Mayara relembra que este ano o foco maior é o cuidado e a prevenção ao vírus, no entanto, o famoso licor não pode faltar: “Esse ano o São João será dentro de casa, tomando um licorzinho com meu pai e meu irmão”, brincou.
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